Goste ou odeie, o grande Big Brother é você

Em tempos de exposição demasiada onde a televisão parece usar um curto cobertor propositadamente para cobrir um lado e descobrir o outro, no caso, a bunda ou os seios de alguma mocinha sem maiores pudores, recebi dezenas de e-mails pedindo para falar do tão amado/odiado programa de televisão, o Big Brother Brasil, carinhosamente chamado de BBB.

Como acredito na voz do povo, mesmo que me pareça distorcida quando olho para os deputados e demais governantes escolhidos nas eleições, tomei a decisão de escrever sobre o programa, mas já adianto que não será um texto convencional, daqueles que inundam a internet, pode ser, inclusive que você o odeie. Fica aqui minha sugestão para ir fazer outra coisa ao invés de ler sobre BBB…

Muito bem, sugestão dada e pelo visto ignorada, senão você não estaria lendo essa frase, então vamos ao que interessa!

O estupro com o silêncio dos quase inocentes

Primeiramente quero tratar do suposto estupro que ocorreu nessa versão. Tenho um opinião muito particular sobre o ocorrido: desejo sinceramente, do fundo do meu coração, depois de ver o quanto se discutiu, que tudo acabe em 2012, estou na torcida pelos Maias!

Tanto problema sério para entrar na pauta e o povo quer saber se a mocinha que tomou umas cachaças a mais sofreu algum tipo de abuso sexual. Vamos dizer que sim, que ela sofreu, pronto. O que muda agora na vida dos curiosos de plantão? Alguém ficou mais rico, pobre, doente, saudável, inteligente ou burro com isso?

Alguém pode questionar “mas, urso, se for um crime temos que denunciar!”, e eu concordo. A questão é que não havia câmeras de raio-x ou o Super-homem por perto para poder saber se os movimentos feitos embaixo de um edredom eram, de fato, prova de crime, sendo assim, o máximo que alguém poderia fazer seria pedir a direção do programa para verificar o ocorrido.

Longe de mim querer inocentar o rapaz, mas isso não é motivo para condená-lo. Muito se falou que ele seria culpado por ser negro, como se o tom da pele servisse para identificar potenciais “abusadores”. Também houve quem o defendesse pelo mesmo motivo, onde tudo seria um plano dos “brancos” para deturpar os “negros”. Conjecturas perfeitas, principalmente se voltássemos no tempo e vivêssemos no Brasil de dois séculos atrás!

O Brasil tem um certo preconceito velado, porém é muito mais administrável do que o exposto nos Estados Unidos. Lembro-me agora do caso do O. J. Simpson, onde o jogador de futebol “negro”, supostamente assassinou sua mulher e o seu suposto amante. Tudo caminhava a passos largos para uma condenação, meses de júri trancafiado, todos prontos para o veredito de culpa, quando acontece o inesperado…

Pouco antes do término do julgamento, policiais “brancos” executaram dois rapazes “negros”. Como que, numa espécie de equilíbrio das forças – leia-se cagaço do tribunal em ter uma revolta racial – O.J. foi absolvido! Anos mais tarde, o inocente teve mais alguns problemas com a lei, pouca coisa, hoje cumpre 33 anos de pena!

Concluindo o caso “estupra mas não assiste o BBB”, li que o depoimento dos envolvidos nada revelou. Cheguei até a pensar se tudo não fora armado para levantar a audiência, mas em menos de um minuto recobrei a consciência e fui fazer outra coisa mais importante, estava passando um ótimo jogo de futebol de botão na televisão fechada (Itumbiara vs 15 de Piracicaba) e tive que abrir mão de acompanhar o caso.

O gosto pelo tosco da sociedade brasileira

O que mais me impressionou não foi o talento de Bial de fazer cara de paisagem, talento este que já tinha sido notado na copa de 98 quando os passarinhos cantaram que ele tinha saído com a mulher de um dos maiores jogadores daquela época, mas sim com a curiosidade mórbida da população e o gosto pelo tosco.

Em pauta temos algumas reformas importantes e que o povo não dá bola: política, tributária e previdenciária. Me recuso a falar da agrária, pois acho que apoiar o MST é uma piada de mal gosto.

A reforma tributária nos daria o pão nosso de cada dia mais barato, a previdenciária para termos dignidade na terra antes de chegarmos ao céu e a política nos livraria de todo mal. Mas, não… “Corta lá para a imagem! Que barbaridade, olha lá o bandido sangrando e a mãe dele chorando! Põe na tela! Cadê o motolink para entrevistar a família das vítimas?”.

É isso que me impressiona! A falta de construtivismo dessa sociedade, com pouco interesse em edificar e aprimorar o que está ruim, focada em apontar as falhas dos outros como se essa atitude melhorasse em alguma razão as próprias falhas. Parte dos “cidadãos” tem um goleiro Bruno dentro de si, em um misto de Jece Valadão nos seus piores dias! É de Jece a famosa pérola “Amigo, chegue em casa e dê uma surra na tua mulher, você não precisa saber porque está batendo, mas ela sabe porque está apanhando”.

Capa do livro 1984

Leia 1984!

E você? Aí, fazendo jus ao nome do programa “Big Brother”, que para quem não sabe, trata-se de um personagem de um livro chamado “1984”, onde uma sociedade era controlada e constantemente vigiada. Vou explicar melhor, você é o Big Brother!

Quando eu era criança – sim, já fui uma –  queria ser cientista, médico, engenheiro. Quando olhava para personagens queria ser Don Quixote, o príncipe que pegava a Branca de Neve, mas nunca, em hipótese alguma, pensei em ser uma espécie de fiscal de CET da vida alheia. Que criança sonha em ser isso? A dedo-dura da sala, suponho… Aquela que ficava lá “caguetando” quem cabulava aula ou colava na prova.

Já critiquei bastante a intolerância nesse blog, admito que você ou qualquer outra pessoa goste do BBB e isso não me faz gostar menos de qualquer um que seja, não sou ninguém para julgar seus atos, só peço que tenha consciência de qual papel está exercendo quando anseia por apontar o dedo aos outros, qual mensagem passará adiante e o que tem a ganhar com isso.

Até mais!

Ps. Curtiu o post? Aperta aí os botões e compartilhe ele! Ah, já estava me esquecendo:

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