Mulher fácil. Mito, preconceito ou realidade?

Querido Senhor Urso, apesar de ser uma mocinha, tenho uma opinião masculina sobre a vida. Acredito que temos os mesmos direitos, e portanto, classifico homens pra fazer sexo, e homens para amar, acredito que amor e sexo podem sim caminhar juntos, mas isso é praticamente um milagre. Sou do tipo que se não me comem, eu os como, e por aí vai. O problema é que o planeta acha que as mocinhas ainda precisam fazer o magistério e dormir sem orgasmos, classificando como mulher fácil quem faz diferente. O que o senhor me aconselha? Beijos. Chapéuzinho Vermelho. P.S. Uma peninha o senhor ser um Ursinho né… ao invés de um Lobo bem Mau…

Ora, ora, Chapeuzinho Vermelho… Você quer a minha opinião sobre o quê? Sobre o fato de você separar o sexo do amor? Ou você deve querer saber sobre a sociedade em que vivemos e a forma com que nos rotulamos? Pior ainda, quer saber onde é que pode “rodar a banca” sem ser recriminada?

Eu devo estar meio lento hoje, mas também não compreendi o trecho do magistério, na minha época de colégio, as que estudavam no magistério eram bem saidinhas… Quem estudou comigo sabe disso!

Sei que, ao responder perguntas como essa, sempre acabo sendo tachado de machista, confesso que estou um pouco cansado disso, mas tudo bem, lá vamos nós outra vez a dissecar o comportamento e a forma com que nos relacionamos.

Apenas sexo, apenas amor, sexo com amor e sexo com paixão

Como todo animal, conseguimos fazer sexo com ou sem amor. Qualquer um consegue, basta querer, é mais físico do que emocional mesmo. O que se discute é se a satisfação é a mesma do que em uma relação com amor. Para muitos não é, mas tem gente que se sente melhor quando não há envolvimento emocional.

Existem também casos de amor sem sexo, mais raros, mas existem. Nesse ponto sou meio libertário, acredito que você pode amar muitas pessoas de uma só vez. Porém a sociedade irá lhe condicionar a ter somente um parceiro. Nem sempre foi assim, nas civilizações mais antigas a poligamia era permitida, talvez porque não precisassem aguentar várias sogras, com o mundo moderno esse conceito caiu e viramos monogâmicos. As leis brasileiras que falam sobre isso foram baseadas no Código Napoleônico, que proibia o casamento múltiplo. Era uma forma de “simplificar” as divisões dos bens, devemos lembrar que não havia exame de DNA. Antes disso a Igreja Católica também era contra, pelo mesmo motivo.

O sexo com amor costuma ser bem melhor do que apenas sexo, mas é muito melhor mesmo, em minha opinião, do que o sexo com “amorzinho”… Aquela melação danada, gente falando que nem criança, tudo no diminutivo, um saco! Não é porque tem amor no meio que devemos nos portar como idiotas infantilizados.

Discordo do conceito “sexo é bom, mesmo quando é ruim”, isso só vale para quem não sabe fazer nada direito.  Entre um sexo ruim e a masturbação, opto pela segunda hipótese!

É nessa hora que entra o sexo com paixão, esse sim, o melhor dos sexos! Onde rola uns amassos dos bons, pegada firme, nada de “amorzinho daqui, ou benzinho dali”… Nessa modalidade não existe tabu. Infelizmente, na grande maioria dos casos, logo esse sexo “evolui” para o sexo com amor e a brincadeira antes muito quente, fica meio morna, mas nada que um pouco de criatividade não resolva. Manter o relacionamento vivo é como fazer brigadeiro, tem que ficar atento para não desandar. Se não souber fazer brigadeiro provavelmente não entendeu a comparação, portanto, aprenda.

Feminismo, liberdade sexual e libertinagem

É nessa hora que tudo se confunde na cabeça das pessoas, acho normal essa confusão, visto que o divórcio, instrumento da liberdade no casamento, só foi regulamentado no final dos anos sessenta. Até então, casou, tinha que aguentar…

Concordo com a maioria das premissas do feminismo, só acho que ocorreram alguns exageros. Vejo que ocorreu um desvirtuamento quanto aos direitos, o direito de trabalhar, estudar, ir e vir, votar e dirigir ficaram banalizados e reduzidos hoje somente ao direito de “dar” para quem quiser.

Não sei se era isso que as feministas tinham em mente quando propuseram o movimento, acho que era mais para serem respeitadas como pessoas e não para se igualarem a alguns exemplares masculinos.

A liberdade deu início a libertinagem e ninguém falou nada… Tenho um passado repleto de aventuras, muito mais do que posso relatar, pode estar certa, mas se você me perguntasse se eu faria tudo novamente, responderia que não sem pensar duas vezes.

Nesse caminho magoei muita gente bacana em troca de uma “estabilidade social”, uma afirmação besta de que eu poderia, como homem, comer quem quisesse. Parte disso tem a ver com o meio em que vivemos, com a pressão que os pais, amigos e até inimigos fazem para que você seja o “comedor”.

Hoje, já adulto, percebo os erros cometidos e para minha sorte, o passado não condena os homens, já fui considerado galinha, mas isso não é muito representativo nos dias atuais. Com as mulheres a coisa não funciona assim. Não acho que a mulher tenha que ser santa, tirar foto da periquita e colocar no altar, mas o mundo ainda não está pronto para essa liberdade sexual feminina.

A perestroika é sua e você a abre para quem quiser, contudo lembre-se que, como todos aqueles que começam um movimento acabam hostilizados, você pode ser a mártir da vez. Será mesmo que você precisa desse peso?

As pessoas lidam com isso como se as mulheres fossem proibidas de serem donas do seu corpo, quando não tem nada a ver. Para toda ação, existe uma reação e é só isso. Ao sair com todos os caras de um grupo, obviamente não cairá nas graças da torcida… Agora me diga, se eu transasse com todas as suas amigas, independentemente da minha performance, eu ficaria bem visto?

Como vivemos em uma sociedade patriarcal, até as mulheres tem preconceitos, mas qual o problema com isso? Nenhum! Somos pessoas, acertamos e erramos. O complicado é ficar batendo de frente com conceitos e não querer sair chamuscada. Resumindo, cara Chapeuzinho Vermelho, se quiser fazer, faça, é direito seu, mas não saia distribuindo folhetos a respeito ou usando uma camiseta “Eu já dei hoje, e você?”.

Beijoka do Urso. Ah, sou uma versão evoluída do lobo mau… Não gosto de doces!

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