Mulheres não sabem ouvir “não” e levar um fora

Mulheres não sabem ouvir “não” e levar um fora

Amigo urso, sou lésbica convicta há alguns anos, mas já namorei alguns homens antes de me resolver. De um tempo para cá estou tendo problemas com o assédio de outras mulheres. Elas simplesmente estressam quando tomam um fora! Quando eu saía com homens isso não acontecia. Sei que você é um urso hétero e gostaria de saber como dispensar uma mulher sem causar problemas e também se isso acontece com você. Beijos Milene

Olá Mi, sabe como é, o problema não é você, sou eu… Sei que merece alguém melhor, alguém que vá lhe fazer feliz de um modo que eu nunca conseguiria. Mas, fique tranquila, a nossa amizade é muito mais forte do que isso, vamos conseguir superar esse momento e um dia iremos dar muita risada disso tudo…

Quem nunca ouviu nenhum trecho do parágrafo acima é realmente uma divindade que deve ser estudada pela metafísica ou então tem pouca estrada no currículo, pois fora todo mundo leva em algum dia, não é exclusividade de ninguém, não escolhe beleza, simpatia ou inteligência, um pé na bunda está aí para todo mundo, só precisa chegar o dia em que seu bilhete é premiado.

Centenas de milhares de homens e mulheres tomam foras todos os dias e o mundo continua girando, ainda não vi ninguém, por puro despeito, se tornar um homem bomba atômica e acabar com tudo, mas é fato que alguns se abalam mais.

Pessoas têm diferentes reações de acordo com sua experiência, acredito que por isso os homens reajam melhor quando levam um “não” para casa. É claro que sempre tem um idiota que se mata ou agride a outra parte, sendo fisicamente ou moralmente, mas é uma minoria.

Estamos acostumados a levar foras. A culpa é, em parte, nossa. Atiramos para todo lado quando bate o desespero e aí já viu, sem estratégia não há vitória! Porém, por outro lado, cabe a nós, seres que utilizam calças e dotados de órgãos reprodutores masculinos, a tarefa de abordar a fêmea.

Muitas são as estratégias adotadas, pode ser uma cantada direta do tipo “vem cá, minha nega”, envio de mimos (rosas, bombons e outros), “show off” (exibição de talentos físicos,  sociais, artísticos ou mentais) e ainda tem aqueles que fazem uso do pintocóptero, que consiste em girar o membro e exibi-lo às moças… Esse último eu tentei diversas vezes e não deu muito certo, consegui, no máximo, passar umas horas na delegacia.

As mulheres costumam ser mais discretas, lançam olhares, elogiam mesmo que não tenha nada a ser elogiado e dão pequenas demonstrações de afeto como toques na sua mão ou braço enquanto falam com você. Poucas são as que se aventuram a te chamar para algo mais íntimo e menos ainda fazem parte do grupo das que conseguem fazer sem parecer atiradas demais. Algumas forçam a barra e usam o corpo para atrair os machos, isso é muito notado em dancinhas como a que está no vídeo abaixo:


Mocinha dançando piriguete na prainha de São… por pergunteaourso

Fala se não é o orgulho de qualquer pai? Porra! O sujeito vai lá, trabalha, educa, sustenta e depois a filha vai dançar em cima de um palco, praticamente sem roupa, para um bando de marmanjo… Óbvio que alguma leitora vai dizer que a moça do vídeo só está dançando e não vê maldade nenhuma, até pensei em explicar melhor, mas acho que só desenhando mesmo e eu não estou com paciência hoje.

Tenho uma visão que muitas leitoras vão considerar machista. Para mim a mulher não deve convidar o homem, basta apenas deixar a possibilidade em aberto quando há interesse. Digo isso por vários motivos, o primeiro é que o meliante pode não entender e você, por não perceber que ele é lento, vai entender que é desinteresse. Fica o recado: garota, não é desinteresse, ele só é burro mesmo!

O motivo principal para deixar rolar é que o homem precisa se portar como tal em algumas ocasiões, a abordagem é uma delas! Se o sujeito não serve nem para ir atrás de uma mulher que lhe é interessante, imagina quando precisar dele para outras coisas?

Mesmo sabendo disso, muitas mulheres insistem em abordar os homens e, invariavelmente, acabam por tomar um ou outro fora. Como abordam pouco, não se acostumaram a levar um “não” com elegância.

Por falta de experiência tratam como se fosse uma coisa pessoal, como se a nossa falta de interesse fosse uma ofensa mortal – “Como assim, ele não quer dormir comigo? Eu sou gostosa, linda, educada e tenho bom hálito!”. Sinto muito lhe informar, mas para esse mal não há remédio! Cada um interpreta a rejeição de uma forma e seria impossível fazer uma vacina.

Parece que não ocorre a uma mulher que o sujeito em questão tenha determinado tipo de preferência. Conheço um cara que só gosta de mulher feia, as bonitas não têm vez com ele. Considero-o um sortudo! Queria eu só gostar das feias, o universo de possibilidades iria se abrir, muita oferta, pouca demanda!

Cara Milene, não posso falar por todos os homens, mas sempre que eu entrego um “não” à uma mulher costuma ser um problema. Elas ficam descontroladas! Eu tenho uma teoria sobre isso, está relacionada com o fato de eu não ser um modelo de beleza. Acredito que as interessadas se declaram mesmo sabendo disso e quando tomam um fora pensam algo como “Porra! Tomei um fora de um cara como esse? Quem ele está pensando que é?!”.

Funciona igual como os caras que saem na balada e atacam as menos favorecidas pela natureza, vira e mexe eles tomam negativas e pensam que seria melhor se tivessem permanecido em silêncio.

Contudo, além de não saber levar fora, tem mulher que também não lida bem quando tem que dar um. Certa vez, quando eu ainda era um urso bem novinho, fui conversar com uma garota que havia dado indícios de que estaria querendo algo. Pode ser que na conversa eu tenha pisado na bola, mas o fato é que ela me deu um belo “não estou afim”.

Por mim, tudo bem, peguei o resto da minha dignidade, agradeci a atenção dela e fui saindo de mansinho, quando eis que escuto uma pérola “Mas, bem que você queria, não é?”. Não acreditei! Eu já estava combalido e a moça ainda quis tripudiar… Isso não se faz!

Como mesmo novo de gaiola eu já era bom de bico, fiz uma coisa muito feia, admito. Voltei até a moça e lhe disse, bem baixinho, próximo ao seu ouvido: “Não leve meu interesse muito a sério, eu como qualquer coisa mesmo!”.

Falei só para me vingar, confesso, não como qualquer coisa, mas achei que ela merecesse não voltar para casa como se fosse a princesa de Mônaco.

Bom, Milene, só tenho a desejar boa sorte nas próximas aventuras. Grande beijo!

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O Pergunte ao Urso não está mais sendo atualizado, mas seu autor começou outro blog que mistura crônicas com músicas brasileiras (MPB e Bossa Nova). O projeto leva o nome de "Naquela Mesa". Clique e conheça!

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