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Como reagir diante de comentários preconceituosos no trabalho?

Como reagir diante de comentários preconceituosos no trabalho?

Olá, tive conhecimento através de uma funcionária sem noção, odiada por todos e que pra nossa alegria não tem a mínima noção de quando parar. Ela atormenta a vida de todos com comentários idiotas e seus casos amorosos sem futuro. A coisa pega quando ela começa com alguns comentários preconceituosos, e eu como a única negra da agência não acho a menor graça, fico inibida e absolutamente sem chão dependendo do que é dito.
Tive uma criação excelente, procuro ser educada, gentil e evitar qualquer tipo de confronto no ambiente de trabalho. O fato é q procuro responder a todos os comentários, piadas e gracejos apenas com um sorriso, embora por diversas vezes tenha tido vontade de pular no pescoço da infeliz. Enfim, (Urso neh!?) me diga como agir nessas situações, preciso de um guia de etiqueta mesmo, mas reforço que se tratam de situações no ambiente de trabalho (evitar atritos, mal estar geral e etc…) porque fora daqui a “coisa” muda de figura, pois minha família praticamente não teve miscigenação. Aguardo, Andréa.

Cara Andréa, imagino que deve ser realmente difícil ficar fazendo cara de paisagem em situações como essa, só posso imaginar, pois nunca passei por tais constrangimentos, mas acredito que também já devo ter constrangido muitas pessoas com meus comentários secos e irônicos.

Isso não acontece apenas com os negros. Judeus, asiáticos, obesos, loiras, portugueses, baixinhos, gigantes, homossexuais, pobres, ricos, ignorantes, nerds e tantos outros mais que fazem parte de algum segmento da população que passam pelo mesmo desconforto. O problema é social e cultural e não apenas racial. Todos aqueles que não fazem parte das “famílias perfeitas da margarina” nas propagandas de televisão sofrem esses infortúnios de forma, quase sempre, calada, mesmo que injustamente.

Acredito que a melhor solução para o caso não é ignorar a pessoa e nem mesmo provocá-la, isso só aumenta o atrito, nesta situação específica sugiro a você que chame a dita cuja de canto e converse abertamente com ela, fale o quanto isso a incomoda e que você apreciaria a compreensão deste ser tão evoluído para que esse assunto não tome maiores proporções.

Na sua pergunta você deixou muito claro que seu maior contato fora do trabalho é com pessoas da mesma etnia e que nesses casos não há problema, pois bem, achei esse dado muito importante para minha resposta, ele mostra claramente que o problema é cultural.

Da mesma forma que você teve muito mais contato com negros, as pessoas de família com origem caucasóide têm muito mais contato com outros brancos, e os asiáticos também seguem essa norma. O ser humano tem tendência natural em andar em grupos, talvez seja uma forma de proteção mútua ou por temerem a rejeição, mas o fato é que andam.

Devido ao meu cotidiano, em alguns momentos, participo de outros grupos que não o dos brancos e por vezes também me sinto desconfortável, ou seja, o problema não é racial, se fosse, eu, como branco, nunca seria ridicularizado por um grupo asiático ou negro, correto?

Lido com isso de forma muito natural porque entendo que o problema não é comigo exatamente, mas sim com a forma que somos criados.

Fora isso, existe também a nossa memória, para ser mais claro, vou expor alguns pontos que talvez ajudem a compreender melhor esses atritos raciais, sociais e culturais. Nasci em uma família bastante miscigenada, porém sem nenhum negro, fiz pré-escola, primário, ginásio e colegial em colégio público, mas por sua localização, raros eram outros estudantes de outras etnias.

Fui para a faculdade, continuou tudo igual. Passei a reparar que no cinema, restaurantes e nos bares que eu freqüentava a presença de negros era baixíssima. Calma! Não sou do partido nazi e só frequento bunkers fascistas… Estou falando de locais convencionais em São Paulo. Qual o resultado disso? Simples, eu tive que parar para pensar a respeito caso contrário não saberia como lidar com outras culturas. Mas, quantas pessoas se prestam a isso?

O cara do proletariado brada “quem bate cartão, não vota em patrão”. Absurdo! Quem bate cartão deve votar em quem achar melhor e não de forma segregadora.

A questão não é sobre brancos, amarelos ou negros, é sobre grupos. Não é horrível quando você está na presença de um grupo de pessoas que falam em outro idioma e só você fica de fora? E quando eles comentam algo e riem? Você fica com vontade de descer a porrada nos meliantes!

Não estou passando um pano para ninguém… O que quero lhe fazer entender é, da mesma forma que você não está sabendo como lidar com essa situação por ter sua convivência baseada em seus próximos, a infeliz também não sabe ao certo como lidar com você pelo mesmo motivo!

Contudo, isso não pode servir de desculpa para as pessoas não serem civilizadas e sociáveis, se esse tradutor cultural não veio instalado e ela não resolveu procurar sozinha, não há problema, seja educada e apresente-o a pessoa, da mesma forma com que você gostaria de ser tratada, pois pode ser que no futuro, alguém de outra etnia ou outra cultura tenha que lhe apresentar o tradutor dele também.

Recomendo a todos os leitores que assistam o filme Crash – No Limite, ganhador de três Oscars em 2006, retratando com maestria, na minha opinião, os conflitos de uma sociedade com extrato diversificado.

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Abraço do Urso a todos, esse tema foi pesado, mas eu tinha que por em pauta. Desculpem-me pela ausência de piadas…

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Comente:

  • Michele Carneiro

    É um tema muito delicado, a resposta foi muito bem respondida Urso. As pessoas deveriam olhar mais em volta, somos muito dispersos e rejeitamos o que é “diferente” por uma questão de criação. É raridade chegarmos em uma família que os seus descendentes tenham temperamentos diferentes, pois está diretamente ligado à genética. Somos seres de aprendizagem, só precisamos aprender a respeitar o que para nós julgamos ser diferente.

    • Mana

      Concordo com a Michele e Dricolina. Deve ser bem desagradável ter que conviver com o “diferente” mas, nada que um chega prá lá não resolva. 
      O início da explanação da Andréa foi categórico, nas tres linhas. O Ursinho deu uma solução acertadíssima para quem quer resolver um impasse. Só para quem quer diálogo.
      Tivemos um case na faculdade muito discutido e que levou anos para ser solucionado. Constava:
      Uma empresa tinha no seu quadro exelentes empregados e prosperava. Uma gerente foi encarregada de contornar por ser a mais capaz pela antiguidade e eficiência comprovada. Aos poucos ela começou a apresentar demissões seguidas. Novos contratados e mais demissões. Para encurtar os anos de imbróglio, o problema estava na gerente que monopolizava e esmagava os que tentavam se sobressair. Foi demitida e o problema solucionado.
      De fato, a evolução requer jogo de cintura.
      Abraço.

  • Dricolina

    Bem, pessoalmente eu acho muito complicado chegar num ambiente de trabalho e tentar incutir algum bom senso em quem nao tem nenhum.  A verdade eh que  por mais preconceituosa que a pessoa possa ser o simples fato dela expor isso tao abertamente ja demonstra que a tarefa vai ser ardua, e nem sempre com bons resultados.
    A unica vez que  tentei reagir de forma muito “certinha” a brincadeiras preconceituosas  tive um pessimo retorno.
    A pessoa se sentiu afrontada ( apesar d’eu ter sido educada) , a questao se prolongou bem mais do que deveria, e o resultado ficou super aquem do esperado.
    Hoje em dia acho a melhor forma ignorar os comentarios ou a pessoa integralmente, em certos casos.

    • Michele Carneiro

      Dricolina, concordo com vc, mas não devemos nos anular totalmente, acho que temos que lutar de outras formas. Ignorar completamente n é a solução, não ignore, chegue junto da pessoa, só vc e ela e converse! Relate um problema seu e tente alertar sobre os preconceitos que a pessoa tbm sofre, pq todos nós sofremos preconceitos de alguma forma.

      • Dricolina

        Eh, Michelle, entendo o que vc esta dizendo… so que nem sempre eh possivel.  Mas eu nao me anulo, apenas coloco os meus limites de uma forma diferente.  No meu caso foi o que deu certo. E alias eu nao me aperto nem me preocupo em nada com isso, porque a pessoa que eh sem noçao acaba sempre tomando essas atitudes com outros… com cada um ela varia o foco do preconceito, claro.  O resultado eh que todos os outros passaram, com o tempo, a ignora-la tambem. 
        Acho que ate isso funcionou como uma expansao da percepçao do grupo para a quantidade de diferenças que temos e que nao temos como eliminar…  com o tempo essas singularidades acabam sendo de certa forma incorporadas ao grupo, em maior ou menor grau de acordo com a pessoa.

  • Marcos Schaefer

    É bem normal gente sem noção. Mas ninguém é melhor do que ninguém. Viemos do mesmo lugar (um saco) e vamos pro mesmo lugar (um cemitério) kkkkkkkkkkk

  • Marilia Trintaedois

    Uma vez disseram pra minha sogra:
     - Essa que é a sua norinha?
    Ela respondeu sim, a mulher continuou:
    -Vixi, os netinhos vão nascer tudo pretinho, né?
    Minha sogra disse:
    - Fazer o quê, né? (concordando com a mulher com pesares)

    Infelizmente, não dá pra quebrar o pau todas as vezes que o preconceito acontece, pois cansa, desgasta muito nossa vida… é melhor passar batido e se desapegar dessas pessoas.

  • http://twitter.com/andjub Angela Bastos

    Achei o texto super interessante…ja passei por isso quando morava na Africa do sul (ainda com grandes vestigios do apartheid) e mesmo agora em França…nas duas situaçoes, rodeada maioritariamente por pessoas brancas, as vezes ha pequenas piadas meio desconfortaveis que saem mas, aprendi a rir delas, porque, conhecendo o meu grupo,eu sei que eles nao fazem por mal…mas, quando a situaçao me incomodou, nao hesitei a chamar de lado a pessoa em causa para colocar os pontos nos i’s antes que a situaçao de degrade! =)…muita coragem ai andrea =)

  • Verdadeiraitalia

    Aqui na Italia isso existe e muito, especialmente com brasileiras.
    Pior ainda que uma certa quantidade de mulheres faz por merecer em aumentar essa fama que nos persegue.

    blog Verdadeira Italia

  • Pingback: No trabalho, chefe mulher é pior. Mas será mesmo? - Pergunte ao Urso

  • SuziPE

    Supresa pelo texto sem piadas ( e vc sabe fazer assim tb), mas o tema pedia. graça a Deus nunca passei por momentos desse, sou d uma familia bem miscigenada, tem loiro, moreno, mulato, branco (eu), só nos falta o tempero asiático, e sou d uma comunidade podre em sua maioria negros e mulatos e percebo que quanto mais aumentava meu grau d instrução mais “branca” ficava a sala. no meu ultimo curso havia 3 negros para 26 brancos na sala. triste pela realidade do país!