Entrevista de emprego e ansiedade. Entrevistadores não perdoam

Caríssimo Urso, queria que comentasse, respondesse, porque raios todos os recrutadores implicam com o seguinte fator: ansiedade! A maioria dos que estão procurando emprego estão sem salário, sem perspectivas, e com uma grande parte de sua vida mal resolvida! Como você quer que a pessoa, que espera há séculos qualquer oportunidade, não chegue ansiosa a uma entrevista para a empresa dos sonhos? Explica, dialoga comigo, Urso. Abraço! Sheyna

Olá Sheyna, gostei da pergunta, já estive nos papéis de entrevistador e entrevistado, realmente a ansiedade é um dos fatores que atrapalham a vida do possível contratado.

Concordo com você quando diz que a atual condição do desempregado influencia diretamente nessa condição, pois entrevista de emprego nunca é algo tranqüilo para quem está com risco de tomar banho gelado se não pagar a conta de luz.

O selecionador de qualquer empresa tem como obrigação contratar, após um número razoável de entrevistas, o melhor candidato possível para o cargo vago. Dados os problemas que as empresas têm na hora de mandar qualquer funcionário embora, a seleção ganhou um peso enorme e tem vital importância nas finanças.

Isso acontece por dois motivos. Primeiramente, porque a lei trabalhista no Brasil é realmente exploratória e discriminatória, não importando o quão vagabundo é o sujeito, ela quase sempre privilegia o empregado, fazendo com que os custos, em caso de demissão, sejam exorbitantes e, consequentemente, as empresas evitam contratar e os salários são “achatados”.

Acharia isso cômico se não fosse trágico. Neste país boa parte da população simplesmente adora feriados. Uma completa estupidez, feriado é ótimo quando estamos no colegial, mas trabalhando é outra história. O dia de descanso passa, mas o trabalho acumula… Todos que sobrevivem do comércio, que não tem ligação com o setor do turismo, sofrem. O setor produtivo também é muito prejudicado, acaba faturando menos e com isso investe menos em equipamentos e contratações.

Se fosse por mim, juntaria os feriados do semestre e comemoraria todos juntos, assim ficaríamos uma ou duas semanas parados no ano, mas o restante seria mais produtivo. Poderia até mesmo ser uma semana de paralisação antes do Carnaval e outra no meio do ano, junto com as férias escolares.

O segundo motivo está no custo do treinamento do recém contratado. Raramente alguém é contratado e já está apto para desempenhar as funções de imediato, normalmente a pessoa tem que receber um treinamento vindo de um superior. Acontece que, enquanto essa pessoa não “aprende”, a empresa paga o salário do superior e o dela, ao mesmo tempo em que a produtividade fica reduzida.

Se o investimento for feito no funcionário errado o processo pode ter que recomeçar do zero, gerando ainda mais gastos e menos produtividade.

E o que isso tem a ver com a ansiedade na hora da entrevista? Tudo.

Emprego é, na maioria dos casos, estressante. Quase todos os funcionários, principalmente em momentos de crise, vivem sob pressão. Pressão por rendimentos, economia, resultados e até mesmo por “coleguismo” fazem essa condição se agravar.

Muito bem, dito isso, agora eu pergunto a você, se você tivesse que contratar um funcionário, dentre muitas opções, sabendo de tudo o que escrevi, escolheria alguém que demonstrou ansiedade na hora da entrevista?

A ansiedade nessa hora é mortal, igual quando entra um jogador em campo e se atrapalha, bate pênalti para fora, erra cobrança de lateral e coisas do gênero. Fatalmente outra oportunidade, no mesmo time, demorará a chegar.

No momento em que você demonstra ansiedade, você não está provando o quanto quer aquele emprego, mas sim, que não aguenta pressão. Entendeu?

Recomendo o áudio do Max Gehringer, de um artigo chamado “A reprovação não é o fim, é só um novo começo.”.

Espero ter respondido a contento… Beijoka do Urso

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