Fumantes: aceitação do vício social está em queda

Fumantes: aceitação do vício social está em queda

Olá Urso, conheci seu blog através de uma amiga que me presenteou com seu livro e agora leio sempre que possível. Estou no segundo ano da “Escola da Cidade”, cursando arquitetura, curso com a 2a maior carga horária do pais, com professores renomados e valor substancialmente alto de mensalidade. O curso é ótimo, mas tem uma coisa que me incomoda muito: pessoas fumando pelos corredores e até mesmo em sala de aula. Sou uma das poucas que não fumam, por isso quando reclamamos sequer somos ouvidos. A diretoria faz vista grossa e os professores também. Por acaso meu nariz é cinzeiro? Débora

Olá Débora, darei uma visão muito pessoal sobre o problema, peço que os fumantes parem de ler por aqui para não se chatearem, sou radicalmente contra o fumo, seja tabaco, maconha ou qualquer outra coisa que dê na telha de alguém fumar, acredite, há quem fume orégano.

De forma simples e rápida, seu nariz não é cinzeiro, porém essa sua dúvida é gerada porque algumas pessoas nasceram sem “semancol” ou bom senso. É engraçado isso de ser a minoria, chegamos a pensar que o problema está conosco, acredito que isso seja um mecanismo de defesa psicológica. Tentamos nos enquadrar nos grupos para nos sentirmos aceitos.

Já deixei claro algumas vezes, mas não custa repetir, nunca usei qualquer tipo de substância entorpecente e realmente tenho certo preconceito com quem usa. Não vou ficar aqui bancando o descolado que aceita toda e qualquer conduta, sinto muito, mas não serei hipócrita. O meu preconceito não me impede de me relacionar socialmente, contudo não quero estreitar laços com alguém tão diferente de mim e que continue nesse caminho.

Você não foi clara quanto ao tipo de cigarro que as pessoas da sua sala fumam então presumirei que usam maconha e tabaco. O fato de ser uma faculdade de arquitetura também me induz a pensar assim. Não é que todo estudante de arquitetura goste do cigarrinho do capeta, mas que existe um número muito grande quando comparado com cursos de outras áreas, não há como negar.

Tenho um problema com fumantes e é muito antigo. Desde que era um pequeno urso fui obrigado a conviver com eles dentro de minha casa, aliás, dentro da casa de meu pai. Ter uma família de fumantes me fez pegar asco de cigarro. Não suporto o cheiro, muito menos a fumaça, durante um bom tempo isso até me impediu de frequentar lugares que gosto.

Até existir a lei anti tabaco as casas noturnas e bares eram território dos fumantes. Parecia até que não-fumantes não tinham direito a se divertir. Se você tivesse algumas dessas “ites” como sinusite e rinite então…

A aceitação social do vício do fumante

Meus pais serem fumantes até fazia algum sentido, ambos nasceram na primeira metade do século passado e pelo que sei fumar tinha uma espécie de glamour. Os astros de cinema e pessoas da sociedade fumavam, portanto, você que era um pateta sem era nem beira podia se sentir como eles em troca de algumas moedas.

Mais uma vez aparece a necessidade de aceitação das pessoas. Perceba, cara Débora, o mal que ela produz na sociedade. Uns bebem, outros cheiram, muitos emagrecem ridiculamente e há ainda os que viram aberrações por conta de cirurgias plásticas. Tudo fazem para não se sentiram mais sós. É curioso ver como a solidão pode levar pessoas a fazer merda. Percebeu que esse sentimento não é gratificante?

Raramente alguém que não se sente aceito vai se enturmar com um grupo para fazer doação de sangue, coletar agasalhos, plantar árvores, dar educação à quem não tem. São poucos aqueles que resolvem se engajar em atividades construtivas, é muito mais fácil se viciar em algo, até porque é menos trabalhoso.

O problema se agrava com os jovens, mas a estupidez é geral

Os jovens são os mais suscetíveis a se moldarem a padrões equivocados, parte disso porque estão muito envolvidos em busca de sua identidade e precisam de autoafirmação.

O bom da juventude é que passa logo, em poucos anos você ganha a oportunidade de não mais precisar ser idiota apenas para se enturmar com os outros idiotas. Isso é libertador! Tudo bem que tem gente que se acostuma com esse modo de vida e segue sendo idiota pelo resto dos dias…

Voltando ao tema principal, até entendo os idosos fumantes, mas realmente acho que os jovens fumantes estão precisando de ajuda. Antigamente não se tinha tanta informação dos danos que o cigarro produzia em nossos organismos, hoje tem até demais. Há muito tempo vi uma propaganda onde o Gerson, jogador campeão pela seleção brasileira em 1970, aparecia fumando um cigarro, hoje, qualquer tipo de propaganda é proibida.

Resumindo, hoje existem leis para coibir o tabaco, impostos altos na comercialização, inúmeros estudos sobre os males e mesmo assim ainda vejo gente se vicia. Tudo mostra ao cidadão que ele não deveria fumar, certo? Então que por que alguém ainda cai nessa? Não tenho outra resposta a não ser estupidez.

Sei que estou sendo muito rígido quanto ao tema, mas é isso mesmo que acredito. Não considero que começar a fumar, com todos os estímulos contrários, seja uma atitude inteligente. Os fumantes podem aproveitar o espaço para comentários e se manifestarem contra o que acabei de dizer, mas adverto-os, me xingar não os fará menos estúpidos, ok?

No lugar da Débora eu estaria muito puto, pagando caro para estudar e ainda tendo que suportar os abusos de um bando de idiotas. Quer fumar? Fuma, porra! Mas, na sua casa! Uma das coisas que acho mais chata nos fumantes é a necessidade que eles tem em nos fazer fumar junto. E se eu gostasse do cheiro de merda e quisesse que todos em minha presença tivessem que desfrutar junto comigo, pareceria normal? Lógico que não, sendo assim, o que faz um fumante pensar que ele não incomoda os outros? Essa é fácil…

Nada os fazem pensar, se algo os fizesse, não seriam fumantes, oras!

Qual a solução para o problema?

Você tem três soluções prováveis: deixar a faculdade, começar a fumar ou partir para a porrada! Calma, Débora, nada de esbofetear os fumantes, isso só os deixará com raiva e aí é capaz de fumarem ainda mais por “nervoso”. Aliás, parece que é enorme a proporção de fumantes que sofrem dos”nervos”, pelo menos essa é a desculpa que me dão.

Se eu estivesse em seu lugar, já tinha mandado todo mundo à merda e mudado de curso para engenharia, mas entendo que prefira continuar com arquitetura. Sendo assim, bote fogo no circo e veja os palhaços correr, mas faça isso com classe, envie notificações por escrito para o coordenador e para a reitoria. Caso eles não tomem providência, denuncie no 0800-7713541 ou vá no site da lei: http://www.leiantifumo.sp.gov.br

Até mais!

Conheça o novo blog do autor do Pergunte ao Urso

O Pergunte ao Urso não está mais sendo atualizado, mas seu autor começou outro blog que mistura crônicas com músicas brasileiras (MPB e Bossa Nova). O projeto leva o nome de "Naquela Mesa". Clique e conheça!

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