Ninguém é pago para ser feliz. Liberar regalias no trabalho tem preço

Caro Urso, muitas empresas bloqueiam o acesso de seus funcionários a MSN, Orkut, YouTube e outros sites para evitar a dispersão, para que o funcionário produza. Isso acontece até nas companhias em que se espera que a pessoa seja criativa e trabalhe com a inteligência. Mas a internet é muito mais do que ficar jogando conversa fora. Quando a pessoa navega e acessa informação, mesmo que essa informação não tenha exatamente a ver com o trabalho, ela está se capacitando.  Esses dias visitei uma empresa em que cada pessoa pode definir que horário vai trabalhar e o acesso à internet é totalmente liberado, contanto que a pessoa entregue aquilo que se comprometeu a fazer. O que você acha disso? Juliano Spyer

Olá Juliano, liberar o acesso à internet e às redes sociais no trabalho é assunto cascudo. Essa é uma pergunta muito pertinente cuja resposta arrancará aplausos dos patrões e dos funcionários que são profissionais, bem como, produzirá uma aclamação em forma de vaias que virá dos vagabundos que se escondem atrás das mesas.

Qual o sonho de qualquer funcionário? Fazer que seu trabalho passe a ser uma atividade mais prazerosa possível!

Qual o sonho de toda empresa? Fazer com que a produtividade dos seus funcionários seja a maior possível.

Isso faz com que, apesar de ser do interesse de ambos, ninguém seja pago para ser feliz, mas sim para trabalhar.

É com essas duas premissas que tudo se confunde no mundo corporativo, algumas empresas se esquecem que trabalho é, realmente, trabalho e começam a estimular mordomias que nada tem a ver com o desempenho dos seus funcionários.

Conheço casos práticos, como, por exemplo, o de uma indústria do ramo gráfico que resolveu premiar sua equipe se a produtividade aumentasse em trinta por cento. Qual o resultado da ação? Aumento de trinta por cento na produtividade, porém com alta taxa de devolução e um ganho de, aproximadamente, cem por cento de mercenários.

Agora, além de pagar os salários de mercado, o empresário tem ainda de desembolsar um extra para que a galera trabalhe direito. É uma inversão de valores! Dentro do salário, que não o de fome, já está acordado que a pessoa deve trabalhar direito.

Vou aproveitar para acabar com outro mito, esse negócio da galera utilizar a internet para se capacitar é igual a história de pôr só a cabecinha, com o tempo a garota percebe que pinto não tem ombro… Para provar minha teoria, basta você dar uma olhada nas palavras mais procuradas no Google e verá que “Sexo” e “Orkut” são infinitamente mais procuradas do que “tutorial“, “notícias” e “cursos“.

Essas facilidades do mundo moderno, de empresas “quase-hippies”, só funcionam na prancheta de algum consultor maluco. Já estou ouvindo os gritos da galera do fundão: “Cê tá loko, Urso! E o Google?”…

Bom pessoal, tenho uma péssima notícia para vocês: que dá certo, de verdade mesmo, só o Google, portanto, caros esperançosos pela vida mansa, podem ir se conformando com as empresas tradicionais.

Outro ponto que devo destacar é que o Google, como empresa, tem diversos setores, não só o do desenvolvimento e programação, tem também o comercial, o financeiro, o recursos humanos, o administrativo e muitos outros que não faço a menor idéia, mas posso garantir que esse povo que carrega o piano tem horário para entrar e não tem para sair.

Existe também empresa que dá total flexibilidade de carga horária, mas em compensação te enche de metas que são impossíveis de serem cumpridas em menos de dezesseis horas diárias de trabalho insalubre. Isso funciona como aquela mulher que lhe dá toda a liberdade do mundo, contanto que você tenha um GPS conectado o tempo todo e ligue para ela de cinco em cinco minutos.

Quanto ao bloqueio de MSN, páginas de Orkut e afins, sou radicalmente contra, por mim tudo deveria ser liberado, porém a utilização destas e outras ferramentas alienistas deveriam poder ser utilizadas por um processo de demissão por justa causa. Pau nos vagabundos!

É óbvio que estou generalizando, vamos supor que a recepcionista passe o dia no MSN. Qual o problema? Nenhum! Agora mude a profissão do usuário para um auxiliar de escritório, aí sim, tem todos. Você já contrata um indivíduo para lhe auxiliar e o sem vergonha não sai do MSN…

Seria muita ingenuidade acreditar que todos os profissionais do mundo têm a cabeça no lugar para saber da responsabilidade atrelada a cada função, portanto, meu caro Juliano, infelizmente, os bons pagam pelos maus e as empresas devem sim tomar medidas para coibir abusos. O problema está em como mensurá-los, cada empresa que tenha sua regra e a coloque em um manual do funcionário, assim, quando o cidadão é contratado sabe exatamente o que pode e o que não pode fazer.

Isso sem contar os problemas de vazamento de informação sigilosa que pode acontecer quando se libera completamente o acesso a transmissão de arquivos através destes softwares.

Resumindo, se o cidadão tirasse apenas trinta minutos pela manhã e outros trinta no fim da tarde para responder seus emails pessoais, ver notícias, fazer compras pela internet, responder seus scraps no Orkut e ler o Pergunte ao Urso, acho que não haveria problema, porém, flexibilizar muito essa regra faz com que a produtividade caia, aumentando os custos de produtos e serviços, potencializando deslizes e fazendo com que eu, você e muitos outros, paguem essa conta.

O trabalho que uma empresa tem em ficar fiscalizando o que fulano faz e beltrano escreve, não faz parte das atribuições normais de sua finalidade. O sujeito que fabrica pregos tem que se preocupar com outras coisas e não com a Dona Mirtes que não sai do Orkut.

Em relação aos horários, acho que isso deve variar de acordo com a empresa e com o setor, eu tive uma experiência péssima a esse respeito, trabalhei em uma empresa onde cada membro da minha equipe entrava em um horário diferente. Um chegava as nove, dois chegavam as dez, mais um chegava as onze e o último dos moicanos, pasme você, chegava ao meio dia.

Obviamente que todos almoçavam em horários diferentes… O resultado prático desta merda de sistema é que eu tinha que fazer igual o presidente da África do Sul, tendo que repetir minhas palavras pelo menos três vezes, justamente por não conseguir fazer apenas uma reunião com toda equipe. Pedi então para mudar o horário de almoço, se todos fizessem o mesmo, pelo menos depois dele eu conseguiria ter todos na mesma mesa. Aí o cara que chega ao meio dia me avisa: “Pô bródhî, o lance é ki eu gosto de rangar às duas da tarde”.

O que você, como cara que tem responsabilidade, deve fazer nessa hora? Cada um tem uma receita, eu resolvi atender o apelo do cidadão e ampliei o horário de almoço dele, daquele dia em diante, ele teria o dia inteiro para fazer o que bem entendesse da vida…

Grande abraço do Urso.

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