O jeito Tam de voar: despreparo em terra e no ar

A falta de terminais em número suficiente para atender a demanda e a falta de qualificação e vontade dos funcionários da TAM, “empresa” aérea que atua na América Latina, me fizeram perder um voo onde eu teria condições de embarque com tranquilidade não fossem as circunstâncias citadas. O tempo de espera entre um voo e outro me fez parar para uma série de reflexões sobre a aviação brasileira.

Já estava insatisfeito com a companhia, mas hoje tive mais uma amostra do quão ruim é o serviço oferecido pela Tam (em minha opinião), mas isso é só a ponta do iceberg, o problema está na essência do comando.

Acidentes aéreos são sintomas de que algo está errado

Minhas suspeitas com a empresa começaram no acidente de 1996, quando um Fokker 100, avião de fabricação holandesa, caiu sobre casas nas proximidades do aeroporto de Congonhas, cerca de 10 segundos após a decolagem. Para quem não sabe, essas aeronaves foram tiradas de circulação pela Tam, mas rebatizadas por MK-28 e hoje operam regularmente pela Avianca.

No acidente de 96 a Tam emitiu uma nota afirmando que o laudo a isentou de culpa, o que acho uma atitude covarde, visto que laudos não apontam culpados, apenas relatam falhas ocorridas. Quase vinte anos depois, ao que parece, mesmo com seguro, boa parte dos familiares das vítimas não foram indenizados.

Em 2007 outro acidente ocorreu, dessa vez quando a aeronave estava em processo de pouso. Após 5 anos, sequer os denunciados foram julgados.

Aproveitando o tempo que tenho de esperar até o meu próximo voo, resolvi ler todos os processos envolvendo os acidentes, e pelo que entendi, nos dois casos houve falha mecânica, mas se os pilotos estivessem em plenas condições de trabalho, sem condições de estresse emocional, cerca de 300 pessoas teriam sobrevivido.

A provável origem do problema continua

Depois dos desastres que destruíram centenas de famílias era de se esperar que a companhia tomasse algum tipo de providência… Errou quem pensou nisso. Funcionários da Tam fizeram um blog para denunciar as condições de trabalho a que são submetidos, li diversos textos, dentre muitos, destaco dois:

“Os números que são mostrados e estruturas administrativas apresentadas, são meramente “cosméticos” para dar o ar de empresa moderna e preocupada com as pessoas e o meio. Pura fachada com o propósito de esconder o que vive e é alimentado no seu interior – Um monstro devorador da dignidade de seus clientes e empregados. Uma empresa que estimula a delação abertamente em suas salas de aula é realmente moderna?”

“Hoje, na Tam, senhor Harley, temos pilotos estressados, fatigados, pressionados, cansados, tristes, enfim, DOENTES…”

Ao que parece, a atitude demonstrada por quem está no comando é a pior possível: esconde os erros, culpa os inocentes, faz propaganda de que está tudo bem e se recusa a aprender e melhorar, parece até a Mitsubishi.

Quem quiser ler mais basta acessar o endereço http://aviadoranonimo.wordpress.com/

No jeito Tam de voar o discurso é diferente da prática

O tal “Jeito Tam de voar”, pregado em peças publicitárias pouco se traduz no serviço real. Recentemente o jornalista Marcelo Rubens Paiva, paraplégico, foi “esquecido” no desembarque, ficando por quase uma hora dentro da aeronave. Teve mais sorte que Mara Gabrilli, tetraplégica, que ficou duas horas na mesma situação.

Acho que o presidente da empresa deveria repensar muita coisa ou rever o código de ética da empresa, onde o primeiro item é:

“encantar nossos clientes com nossa postura íntegra mantendo inabalável nosso espírito de servir.”

A verdade é que somos reféns de algo parecido com um cartel, poucas empresas aéreas concorrendo, elevando os preços e fazendo com que a qualidade do serviço seja ruim.

A Azul está tentando entrar no mercado há alguns anos, mas é óbvio que as empresas estabelecidas estão criando resistência.

Por que você acha que os aeroportos não são ampliados? Para que outras empresas não entrem! Política!

Na verdade, ampliações dariam mais conforto aos passageiros, mas com poucas modificações, como no tempo mínimo entre uma decolagem e outra, já teríamos condições de operar mais voos.

Nos Estados Unidos o tempo de decolagem entre aeronaves é de um terço do que no Brasil. Aqui, os coitados que trabalham em torres de comando suam para não cometer deslizes, são mal remunerados, trabalham em condições precárias e quando algo dá errado são eles que pagam o pato.

Não precisamos ver na Copa de 2014, como dizem as brincadeiras, já podemos ver os estragos dessa falta de gestão hoje mesmo.

Até mais, se mais houver!

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