Bordeline, depressão, psicopatia, bipolaridade. Estamos todos doentes?

Continuação da resposta para a pergunta “Qualquer tristeza é depressão. Será?“.

Preconceito

Conversando com assistentes sociais ouvi que muitos bêbados são, na verdade, pessoas com depressão, que por falta de cultura ou de oportunidade encontram no álcool o tratamento ou fuga de seus reais problemas.

Quando eu era um pequeno urso quem procurava terapia era considerado problemático pela sociedade, hoje percebo que o conceito está invertido, não sendo normal quem consegue lidar com seus problemas sozinho. Considero ambas colocações de um equívoco sem tamanho, fruto de gente, essa sim, doente e preconceituosa.

Caso você esteja fazendo terapia e achando muito bom, parabéns! Continue fazendo até cansar, mas não trate quem não faz igual a você como doente que não sabe entender que precisa de tratamento. Pregar sua verdade como absoluta é característica de fundamentalistas e isso nunca deu certo. Para quem não lembra ou nunca estudou sobre as cruzadas, recomendo que o faça.

Provavelmente serei muito mal interpretado por promover a liberdade de escolha, posso ser até rotulado, mas não me calarei só porque não tomo rivotril ou qualquer outro remédio para estabilizar meu humor. Sou mal humorado sim! Não vejo problemas com isso…

Se não levar desaforo para casa ou não se deprimir diante dos problemas que todos temos for sinal de doença, é melhor arrumarem uma vaga em hospital psiquiátrico para mim, com urgência.

Exageros

Minha vida, assim como de muita gente, não é e nunca foi um mar de rosas, mas isso não é motivo para me tornar uma vítima do “sistema”, papel que nunca me coube e também não conseguiria interpretar.

Da mesma forma que muitos, também recebi apelidos na infância e também briguei na escola, também fui alvo de piadas, mas nada disso foi levado a sério como bullying. Claro que passar por isso também não me fez virar um cretino na faculdade promovendo trotes descabidos, muito menos achar que isso é atitude de gente normal. Não precisei de terapia alguma, apenas o carinho e apoio dos familiares.

Opa. Será que toquei num ponto delicado? Falei na omissão da família? Será que teria sido diferente se meu pai não tivesse se mostrado presente quando precisei dele? Será que isso teria produzido em mim a necessidade de tratamento psicológico?

Tenho uma revelação: nem sempre meu pai esteve lá quando eu precisei dele. Óbvio que isso me deixou chateado em algumas ocasiões, porém, ao amadurecer você entende que as nuvens não são feitas de algodão e entende que todos têm as suas virtudes e defeitos. Estes últimos, os defeitos, não foram feitos, exclusivamente, com o intuito de lhe prejudicar, mas estão aí, lide com eles ou não.

É fato que cada um lida com os problemas do seu jeito, alguns ficam mais agressivos e agem com mais energia enquanto outros se deprimem e se isolam. Tem também os que não dão a mínima.

Estariam todos doentes? O que reage com agressividade pode ser considerado borderline, o que fica deprimido pode ter depressão, o que não liga pode ser psicopata e o que alterna entre uma coisa e outra pode estar sofrendo de transtorno bipolar. Caramba, não sei como a sociedade caminhou por esses quatro mil anos com tanta gente doente…

No próximo trecho desta resposta eu falo sobre diagnósticos e efeitos do uso de medicamentos sem necessidade.

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