Descriminalização das drogas no Brasil. Liberar o uso não é solução

Descriminalização das drogas no Brasil. Liberar o uso não é solução

Vi, dia desses, um vídeo sobre a maconha. História, atributos econômicos e muito mais. Fiquei impressionado com o potencial econômico da “mardita” e passei a questionar a sua não regulamentação, enquanto fibra têxtil, papel, alimento, terapia e, por que não, alternativa ao álcool, cigarro e outras drogas mais perversas. Relatos informam seus efeitos prodigiosos para um sexo do bão. Amigo Urso, você tem opinião formada sobre isso? Edu Pit

Caro amigo “Bob Marley”, eu até tinha opinião, mas depois de um tempo curtindo a brisa da sua pergunta, esqueci qual era, vou ter que pensar mais a respeito… Estou brincando! Tenho sim opinião a respeito desse assunto tão esquecido – olha o trocadilho – e polêmico.

Preciso confessar: eu sou virgem! Nunca usufruí de qualquer tipo de entorpecente ilícito, já bebi um pouco, é claro. Ok, talvez mais que um pouco… Puxando pela memória, acho que bebi bastante, o suficiente para parar de beber.

Porém, caro leitor, minha “virgindade” na utilização destas substâncias, não me priva de ter uma opinião formada. Assim como muitos que vivem em uma metrópole como São Paulo, também observei, não raras vezes, conhecidos dando uma baforada no cigarro do capeta (apelido da maconha). A aceitação do “baseado” entre os mais jovens é algo impressionante, já cheguei a ser encarado com restrições por não fumar. Depois o cara chega aos cinquenta anos de fumaça, já meio lesado e me diz que nunca se viciou… Porra! Cinquenta anos dando dois “tapas” por dia e não se viciou? Depois dizem que não faz mal para a memória…

Uma das vantagens da descriminalização seria saber a procedência do bagulho, visto que quem compra não tem a menor idéia do que está misturado junto a erva. Já vi maluquinho fumando orégano e achando o maior barato! Leitores, nem pensem em fumar essa merda… O cara devia estar viajando na maionese, mas como placebo funcionou.

Pessoalmente, sou contrário ao uso de qualquer tipo de drogas por considerar que os efeitos não compensam o risco. Vou explicar melhor com uma analogia: quando comecei a dirigir, viajava somente a 180km/h, não importava para onde eu ia, me achava malandrão por saber a localização de todos os radares e postos policiais. Pois bem, um dia estava voltando as quatro da manhã de um local freqüentado apenas por moças de família, quando, de repente, um caminhão cruzou a minha faixa e eu a 160km/h. Por uma questão de sorte e de um motor forte, pude acelerar ainda mais sem que o dorminhoco do caminhão me matasse.

Daquele dia em diante passei a fazer contas, não, caros leitores, não precisei usar calculadora e nem virei contador. Comecei a pensar sobre o número de coisas que eu teria perdido se tivesse me acidentado, mais que isso, comparei com o que tinha a ganhar indo mais rápido do que o seguro. Considerando o limite de 120km/h,  eu levaria 1:30h para percorrer 200km, contra 1:06h se eu fizesse o mesmo percurso a 180km/h, ou seja, “ganharia” 24 minutos. Se alguém não entendeu, eu desenho.

Caramba, minha vida valeu apenas 24 minutos! O tempo que um atendente do Mc Donalds leva para entender o pedido! Depois chamam isso de fast-food… Já não era food e recentemente nem fast.

Eu lá achando que estava levando a maior vantagem, quando, em troca desse mísero tempo, poderia ter deixado de vivenciar experiências engrandecedoras, como por exemplo, escrever este blog, comer um sanduíche “churrasco grego” e não ter uma indigestão, ser chamado de “tio” ao passar por uma balada de adolescentes, conhecer pessoas bacanas e ver meu Palmeiras ser campeão do mundo, tudo bem, essa última eu sei que não aconteceu… Ainda…

Voltando a sua pergunta, antes de saber se o uso da maconha deveria ser liberado, acho que precisamos saber se vale a pena usá-la. Pela minha lógica do risco, não vale. Nem adianta falar que a maconha não leva a outras drogas, pois todos os entorpecentes, incluindo o álcool, podem levar a outras drogas, sim. Pode ser que o seu organismo não demande mais, como também pode ser que sim. Loteria e genética.

Fora isso também tem o problema das amizades, pode ser que você só tenha amigos maconheiros e super da paz, como pode ser que entre eles também tenha algum mais “engajado” na auto-destruição e com o tempo isso passa a fazer uma diferença. Ou você o exclui da sua lista de amigos ou você passa a fazer parte da lista dele.

Quero aproveitar a oportunidade para falar também de outras drogas como o ecstasy, também chamado de “bala”, coqueluche entre os baladeiros de plantão. Na boa, se você me der um comprimido para tomar que me garanta cinco anos de barato nas idéias, talvez eu tope tomar arriscando tudo o que construí e o que estaria por vir, mesmo sabendo que pode dar algum problema e meu cérebro passe competir com uns brócolis. Nada contra os brócolis…


Trecho fantástico e polêmico do filme Tropa de Elite – Capitão Nascimento dá lição de moral em usuário

Porém, você me dar qualquer coisa prometendo um barato de duas, três ou dez horas e querer que eu tome? Nem a pau! Não faz o menor sentido! Existem muitas outras formas de ter prazer e ser feliz. Por mais foda que sua vida seja, dar uma volta no quarteirão sob o sol continua sendo de graça e, se você souber perceber, muito legal.

Já pensei várias vezes nisso e não entendo como alguém pode querer arriscar uma vida toda pela frente de prazeres em troca de alguns minutos. O cara não sabe o que está dentro da porra que ele está consumindo. Se der errado e ele tiver uma “bad trip” momentânea é pouco, mas e se o estrago for definitivo? Vai reclamar para quem? Para o traficante?

Mesmo assim, pode ser que você queira arriscar, por mim, tudo bem, a vida é sua. Vamos então falar sobre a descriminalização somente. Sou a favor, mas com algumas restrições.

As penas para crimes cometidos por alguém sob influência de qualquer substância entorpecente deveriam ser duplicadas. Com responsabilidade, acho que é direito do cidadão usar o que bem entender, contudo, a sociedade deve tomar medidas para coibir os excessos. O meliante quer cheirar pó a noite toda, sem problema, se o cara for dirigir e acidentalmente matar alguém, pena dobrada.

Fora isso, existe um pequeno problema, os criminosos. Pense você, caro leitor, quem hoje vende essas substâncias é o tráfico. Como todos sabem, as armas não são de brinquedo, muito menos a falta de perspectiva é um charme. Some uma população sem profissão, fortemente armada, sem perspectiva de vida com a falta de políticas de inclusão social e você terá uma granada armada, pronta para explodir.

O que acontecerá se o poder público tirar o sustento desses marginalizados que vendem o baseadinho que o playboy fuma? Provavelmente ocorrerá uma explosão dos mais diversos crimes. Ou você espera que os traficantes irão aderir ao programa de desarmamento, se internar em clinicas de recuperação, se profissionalizar em algo e pedir emprego como todos fazemos? Já pensou se os caras resolvem montar várias duplas sertanejas?

Sem uma forte mudança nas políticas sociais que permitam a essa população um sustento digno, descriminalizar é, no mínimo, irresponsável.

Quanto ao melhor desempenho do sexo, só tenho algo a dizer: para o mal fodedor, até o saco atrapalha! E tenho dito!

Abraço do Urso. Ah, não me preocupo em perder leitores por causa de minha posições sobre algo, afinal, não prego que ninguém as siga.

Conheça o novo blog do autor do Pergunte ao Urso

O Pergunte ao Urso não está mais sendo atualizado, mas seu autor começou outro blog que mistura crônicas com músicas brasileiras (MPB e Bossa Nova). O projeto leva o nome de "Naquela Mesa". Clique e conheça!

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