Frequentadores da USP, chamados de estudantes, e a inversão de valores

Frequentadores da USP, chamados de estudantes, e a inversão de valores

Caro leitor ou cara leitora, mais uma vez resolvi quebrar o protocolo que fiz sobre os dias da semana e os assuntos que seriam publicados. Faço isso após ler algumas coisas a respeito do confronto entre policiais militares e os frequentadores da Universidade de São Paulo (USP), uma das melhores e mais concorridas universidades do Brasil.

O que e como aconteceu o problema

Ao que me parece, policiais, que faziam a ronda dentro do campus, abordaram três jovens próximos a um carro e encontram drogas, mais precisamente maconha, na posse deles. Como em qualquer situação parecida, os policiais tinham o dever de encaminhar os jovens à uma delegacia de polícia por porte de substância entorpecente, assim como aconteceria (ou deveria acontecer) com qualquer outro usuário, seja ele político, ator, jogador de futebol, empacotador de supermercado ou um estudante.

Os eventos que sucederam a atuação da polícia são de surpreender qualquer pessoa com uma boa consciência de valores morais.

Ao perceber que a polícia faria exatamente aquilo que deveria fazer, outros jovens que estavam no local, acuaram os policiais, fazendo com que eles buscassem proteção em um dos prédios. Repare, não estavam extorquindo, ameaçando, agredindo, estavam apenas exercendo o dever de polícia que lhes foi conferido.

Após tentar sair e continuar com o procedimento padrão, os policiais foram agredidos, insultados, ameaçados. Um dos jovens chegou a jogar um cavalete nos oficiais. Outros jogaram pedras e chutaram a viatura.

Diante desta cena os policiais reagiram com gás lacrimogênio e bombas de efeito moral em atitude típica de legítima defesa. Feridos, só do lado da polícia, é bom frisar.

Muito bem, até aí eu acho só um conflito idiota. Jovens, que se julgam acima da lei, enfrentando a polícia em nome de uma liberdade da qual não têm direito.

Agora estes mesmos jovens querem a retirada da força policial destacada para trazer segurança a todos os alunos da USP. Força que foi solicitada, há pouco tempo, após a morte de um estudante.

Qual é o papel dos estudantes: Fumar maconha ou estudar?

Recuso-me a chamar os jovens envolvidos nesse nefasto episódio de estudantes, estudante é o que vai para a faculdade para estudar, não é para fumar maconha, roubar, promover baderna ou qualquer coisa do tipo.

Alguns estudantes fumam maconha? Imagino que uma boa parte fuma. É ilegal? Claro que é, porra! Enquanto for ilegal a polícia tem que agir e ponto final. Já escrevi sobre a descriminalização da droga antes, clique aqui para ler.

Quer fazer algo em desacordo com a lei? Ok, problema seu, mas não espere ver policiais observando você e achando normal. O sujeito que acha que fumar maconha dentro de uma universidade pública é normal, merece mesmo tomar um sacode das autoridades.

Na verdade, esse glamour estúpido, que alguns acreditam ter o ato de fumar um baseado, deve ser combatido. Em minha opinião as universidades são permissivas e omissas. Eu até entendo as que são privadas e que não tem compromisso com a qualidade do ensino, pois não passam de grandes máquinas caça-níqueis, querem mais é que o aluno se exploda, desde que pague sua mensalidade, mas uma universidade pública deveria ser o exemplo.

A sociedade premiando o privilégio contra o merecimento

É o meu, o seu, o nosso dinheiro que está sendo desperdiçado com esses boçais que não estão lá para aprender. Sei que isso pode parecer extremista, mas no meu modo de ver, injetar dinheiro público na formação de um jovem que age assim, ao arrepio da lei, é a mesma coisa que desviar dinheiro de uma obra pública.

As vagas em universidades públicas são raras e estamos desperdiçando-as com estes pseudo-intelectuais-estudantes ao invés de beneficiar gente que merecia uma chance.

Merecimento. Uma palavra pouco utilizada no Brasil, o conceito, então, cada vez menos aplicado. O que vejo é a cultura do privilégio se agigantar. Ser amigo de um, parceiro do outro, protegido por ser filho ou primo de alguém, tudo o que não tem a ver com uma sociedade democrática e equilibrada.

Do meu ponto de vista, o governador e o reitor, ao não expulsar esses jovens, estão se acovardando, deixando de moralizar uma instituição que já foi muito respeitada pela sua qualidade. Espero que ajam com sabedoria para não passar a ideia de permissividade.

Não é o porte de drogas que está em discussão, é a falta de valores e princípios! Pergunto-me: o que acontecerá quando a lei tratar esses jovens de forma diferente, em razão da conclusão de um curso superior (já que haverá tratamento diferenciado). Do que serão capazes estas pessoas que já se consideram intocáveis? Se o objetivo da educação for criar distinção para que as pessoas se considerem impunes, melhor rever o sistema.

A polícia incomoda quando não é corrupta

Vi algumas pessoas se manifestando a favor deles e isso me gerou algumas dúvidas. A sociedade quer uma polícia honesta? Será que ela está preparada para ter uma?

Eu vejo o noticiário e a população que sempre cobram uma atitude correta da polícia, mas quando acontece a mesma população é quem vai contra ela. É de uma hipocrisia sem limite. A hipocrisia neste país está atingindo níveis de doença, vide o caso Rafinha Bastos e outros que citei em outro artigo.

Uma polícia honesta não toma dinheiro de bandido, mas também não alivia para filhinho de papai importante. Persegue traficante e também enquadra o usuário. Combate o contrabando e apreende produtos de compradores.

O problema da polícia talvez não esteja no policial. Talvez está em você e em mim, ao nos calarmos quando não deveríamos. Estes jovens exigem agora que o poder público não os processe, caso contrário não desocuparão o prédio que tomaram. Não bastasse usar o dinheiro público para, supostamente, “estudar”, ainda se consideram no direito de tomar o patrimônio público, danificando-o.

Qual deveria ser a resposta das autoridades? A minha opinião você já tem. Qual é a sua? Devemos mostrar a eles que estão certos e esquecer toda a confusão ou mostremos que a lei é para todos, inclusive para eles?

Até mais!

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