Qualquer tristeza é depressão. Será?

Querido Urso, amigo para todas as perguntas, tenho uma questão de tema psicológico, ou psiquiátrico se preferir. Tenho observado cada vez mais as pessoas parecem sofrer demasiadamente com suas frustrações, além reclamarem o tempo todo, sobre qualquer coisinha que dê errado nessa vida que não é fácil para ninguém. Parecem que nunca vão se recuperar de um baque, de uma paixão perdida, do emprego ideal que não vem, da vida perfeita que sonha e não se materializa. Qualquer tristeza já é chamada de depressão (é proibido fazer cara feia agora?), e as crianças não ficam apenas chateadas quando colocam apelidos que ninguém gosta (ninguém nunca passou por isso?). Os pais, os professores, a sociedade e o escambau, mais que rapidamente, as chamam de vítimas do bullying. Me diga, as pessoas estão cada vez mais “moles” ou estamos vivendo num “mundo cão” bem pior que antes? Queria saber sua opinião porque posso estar sendo um tanto insensível. Beijos. Júlia, A Revoltada.

Olá Júlia, excelente pergunta, já havia um bom tempo que eu queria escrever sobre o tema, mas não me sentia preparado o suficiente. Faço minhas as dúvidas que você têm, aliás, tinha – de hoje em diante não terá mais – isso se aceitar o meu ponto de vista sobre o tudo o que envolve depressão.

Tive a oportunidade de acompanhar alguns processos referentes ao diagnóstico, tratamento e recuperação de quadros de depressão. Devo advertir a todos que estão lendo que nessa resposta está a opinião de alguém que não é psicológo ou qualquer coisa do gênero, tudo que aqui encontrarão é baseado em conhecimento empírico,  observação e lógica, portanto, agressões nos comentários não serão toleradas.

Algumas questões podem ser levantadas e vou tentar responder a todas. Afinal, depressão é muleta de vagabundo ou doença do século? Será que não está havendo exagero no diagnóstico de distúrbios psicológicos (depressão, DDA, bipolaridade, borderline) ou estamos mais problemáticos do que antes?

O impacto da pressão contínua no cotidiano

Em uma pesquisa informal que fiz, cerca de 80% de conhecidos em posição de liderança estão tomando algum tipo de medicamento psicotrópico. O percentual cai conforme a quantidade de pressão exercida no indivíduo e também de acordo com as expectativas projetadas nele cai também.

Não sei se vocês sabem, mas uma das características muito presente em presidentes de empresas é algum tipo de crença religiosa seja ela qual for. Um dia tive uma oportunidade e perguntei a um empresário muito bem sucedido o motivo de tanta religiosidade.

A resposta foi:

“Não tenho ninguém com quem falar a não ser com Deus, se eu tenho um problema não posso levá-lo aos meus diretores porque perderão a fé no meu comando, também não posso falar com outros empresários, pois geralmente estão em empresas similares e podem ver oportunidades nisso, outras pessoas não entenderiam as dimensões e não conseguiriam me ajudar”.

Muito justa a resposta, concordei com ele e, mais que isso, notei a carga emocional carregada devido a sua posição. A religiosidade, cada vez mais preterida, pode ter substitutos como a bebida e os psicotrópicos.

Como acredito que este assunto é muito mais complexo do que isso resolvi escrever mais, ao todo são quatro. No segundo trecho você lerá sobre “preconceitos e exageros” desta doença. Depois escrevi sobre o exagero nos diagnósticos e no uso de medicação. E por fim dou dicas para se livrar da depressão sem recorrer a remédios.

Até mais!

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