Código florestal. O que querem te colocar atrás da horta

Código florestal. O que querem te colocar atrás da horta

Caro blogueiro, como sociólogo, acho um absurdo que uma reforma hipócrita que visa à destruição total do meio ambiente em detrimento da acumulação de terras seja votada no país. Devastar a natureza para adiar a reforma agrária tão necessária no Brasil é no mínimo uma afronta a inteligência da população e um crime contra os direitos humanos. Temos que exterminar esta corja de latifundiários e ruralistas e lutar por maior distribuição de renda e terras para o povo. Não ao código florestal e ao imperialismo! Alguém em sã consciência apóia este projeto? José.

Caro agitador, afinal, se não sou chamado pelo nome não há porque retribuir a gentileza. Você pode estar chiando de não ser chamado de sociólogo, mas eu também não sou blogueiro, escrevo um blog, o que é muito diferente. Apesar da pergunta ter sido montada para influenciar a mim e aos meus leitores, resolvi coloca-la na pauta porque considero o código florestal um assunto importante que está sendo deixado de lado enquanto o povo se perde falando de Restart e outras bobagens.

Imagino que você, que lê o P.a.U., deve estar se perguntando o que raios tem a ver esse assunto. Sabe o preço dos alimentos? Então, o que acha de pagar 30% a mais? Lembra do que você compra de produtos com componentes importados? Eles também sofrerão aumento…

No fim das contas, pelo que estudei a respeito, deixar como está causará impactos profundos em nossas vidas e em torno da aprovação do novo código existem interesses de grupos políticos e privados. Vou explicar melhor para que não sobrem dúvidas.

Já existe um código florestal no Brasil, na verdade tivemos vários, inclusive tem um que já foi aprovado pelo congresso e que poderá ser vetado nos próximos dias.

Nosso querido ex-presidente Lula foi muito brilhante em tirar a execução do decreto que ele mesmo assinou do seu mandato, que está para entrar em vigor desde 2008 e sofreu diversas postergações. Aliás, o caso também passou pela mão da Marina Silva, que o engavetou, sendo desengavetado apenas com a entrada de Carlos Minc na pasta do Meio Ambiente.

A encrenca toda está aí. O código que começará a vigorar pede que, entre outras coisas, grandes produtores replantem áreas desmatadas em suas produções, isentando produtores rurais com menos de 400 alqueires de terra do cumprimento dessa resolução.

Na prática, cerca de 30% das áreas utilizadas hoje para produção de comida para o mercado interno e também para exportação serão replantadas.

Qualquer um que se der ao trabalho de pesquisar sobre preço dos alimentos ao longo das décadas poderá ver que eles caíram de acordo com a quantidade produzida no país. Portanto, se reduzirmos o volume da produção os aumentos serão consequência. Há 45 anos, quando o Brasil importava feijão do México e de outros países, o brasileiro gastava 45%, quase metade, do seu dinheiro com alimentos. Hoje estamos perto de 20%, menos da metade do que gastava antes.

Outro desdobramento provável acontecerá na desvalorização do Real ou então na implementação de barreiras para compra de produtos importados de outros países. “Mas, Urso, o que o cu tem a ver com as calças?” – Tudo!

Se nossa produção diminui, o preço aumenta, certo? Com isso nossas mercadorias perdem competitividade no cenário mundial.  Se mantivermos o Real valorizado o número de exportações cairá, portanto, uma saída é desvalorizar a moeda para não alterar o equilíbrio da balança comercial, que é a diferença entre o quanto importamos e o quanto exportamos.

Outra saída é colocar barreiras na importação, podemos vender pouco, contanto que compremos pouco. Se o governo subir os impostos nos produtos importados fatalmente o preço de eletrônicos, remédios e alguns produtos de consumo, como por exemplo, cartuchos de tinta para impressora, terão um aumento significativo.

O código que foi votado pode resolver a questão de forma muito simples, diminuindo a área reservada à preservação ou anistiando quem já está produzindo. Claro que os ambientalistas temem que todas a área verde do Brasil acabe, o que é uma preocupação muito legítima, mas só tem um porém, a Europa só tem cerca de 2% de área preservada, o Brasil tem cerca de 60%. Será que não dá para arrumar um meio termo? Desmatamos tudo ou morremos de fome?

Geralmente não compactuo com posições esquerdistas sobre qualquer assunto, aliás, não sou favorável a nenhuma posição extremista, seja de esquerda ou de direita. No final das contas percebo que os extremos só tem a função de encher o saco dos outros.

O radicalismo dos “ambientalistas” só vai até a página dois. Você acha que eles pararam de usar carros, de ter geladeira ou de respirar para preservar o planeta? Ah, tá… Me engana que eu gosto!

Quem está por trás da campanha contra o novo código florestal?

Com minha experiência política posso imaginar quem está financiando a campanha contra o novo código. Sim, com toda certeza, os movimentos são financiados por alguém ou por empresas.

A quem interessa que nossa produção seja reduzida? Não posso afirmar, com toda certeza, mas fica claro que não é aos produtores brasileiros. Estes precisam de condições para continuar trabalhando. Como se já não bastasse o governo não apoiar com incentivos ainda quer atrapalhar quem está tentando fazer dar certo.

Sabendo de tudo isso fica a pergunta: “Quem está por trás dos que não querem o novo código?”. Ainda não consegui perceber, mas quando o MST está envolvido, tudo é possível. Já escrevi sobre o movimento, se quiser ler clique aqui.

Diversas ONGs financiadas pelo capital estrangeiro estão no combate contra o novo código, talvez outros países tenham interesse em diminuir nossas exportações e, ao mesmo tempo, voltar a exportar seus produtos para o Brasil.

De que lado você está? Eu já sei o meu… Que venha o novo código! Foda-se o José que me escreveu a pergunta! Até porque, o email dele é falso, assim como deve ser a sua convicção socialista! Abraços aos demais.

Conheça o novo blog do autor do Pergunte ao Urso

O Pergunte ao Urso não está mais sendo atualizado, mas seu autor começou outro blog que mistura crônicas com músicas brasileiras (MPB e Bossa Nova). O projeto leva o nome de "Naquela Mesa". Clique e conheça!

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