O estado de São Paulo contra o Nordeste? O que a eleição de Dilma tem a ver com isso

Depois da vitória de Dilma Rosseff para presidente do Brasil ocorreu uma guerra regionalista teve início através do twitter. O motivo do debate foi a origem dos votos que mantiveram o governo petista no poder, algumas pessoas se posicionaram contra o nordeste por conta da votação que a candidata teve por lá.

Uma moça paulista chegou a extrapolar afirmando que seria melhor matar os nordestinos afogados, enquanto outros apenas pregavam a separação dos mesmos do resto do Brasil.

Diante de tudo o que li a respeito achei que seria bom escrever algumas coisas que não li em lugar algum. Primeiramente quero ressaltar minha origem, nasci na capital, portanto, além de paulista (quem nasce no estado de São Paulo) sou também paulistano.

Tive a oportunidade de conhecer as outras regiões do Brasil e pude notar que há alguns mal entendidos quanto ao bairrismo paulista.

É muito comum uma região apelidar a outra com adjetivos preconceituosos, por exemplo, tirando quem mora no Rio Grande do Sul, o resto do Brasil faz piada que gaúcho é homossexual.

Os baianos são preguiçosos, os cariocas são folgados, os paulistas se acham a última bolacha do pacote e os nordestinos são… Nordestinos.

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É isso aí, aqui em São Paulo temos para nós que o esporte nacional do resto do país é achincalhar os paulistas. Basicamente somos seres demoníacos, metidos, arrogantes e opressores.

Essa percepção é notoriamente de pessoas que não vieram aqui e ficam disseminando maledicências exatamente como fazem de outros lugares. Eu, por exemplo, até visitar o Rio de Janeiro não suportava carioca. Aliás, essa é uma rixa histórica, bairrismo puro.

Outro dia estava me perguntando sobre qual o motivo do meu ranço com eles, seria porque falam que somos “estressados”? Não! A impressão negativa que eu tinha era fruto do comportamento de cariocas que conheci aqui em São Paulo.

Os que conheci passavam o tempo todo falando mal da minha cidade, dizendo que no Rio era bem melhor, que praia de paulista é shopping, enchendo o saco quando pedíamos um “chops” e dois “pastel”.

Quando fui ao Rio vi um carioca muito diferente, um tipo bem mais receptivo, querendo mostrar as coisas bacanas de sua cidade e nada pentelho. Mudei o conceito, carioca é gente boa, mas devem mandar os piores chatos para cá! Uns legais vêm de atrevidos…

Bronca similar eu tinha dos gaúchos, o motivo era parecido, os que conheci morando aqui faziam questão de colocar a bandeira do Rio Grande do Sul em suas janelas. Aí já é provocação!

Acho ótimo que as pessoas tenham orgulho de onde vieram, eu tenho sim orgulho do meu estado, mas nunca, em hipótese alguma, hastearia minha bandeira quando estivesse em outro.

Se me mudasse para o nordeste ou para o sul iria aprender os costumes e tradições locais. Impor a nossa cultura é de uma falta de noção absurda, coisa de gente ignorante.

A cidade de São Paulo é um laboratório cultural, imagino que, senão o maior, um dos maiores do mundo. Nunca conheci um lugar que tivesse tanta gente de origem diferente quanto aqui, nacional ou internacionalmente. Isso nos trouxe coisas boas como, por exemplo, a riqueza gastronômica, e também coisas ruins, como a falta de identidade com o local em que vivemos.

Acredito que boa parte da “sujeira” vista na cidade é porque muita gente não se sente parte dela, não aprendeu a amá-la como se tivesse nascido aqui. Quantos dos doze milhões de habitantes são paulistanos? Vinte por cento? Se muito, trinta.

Mesmo os ditos paulistanos acabam não tendo esse senso de propriedade por conta da educação que recebem. Para não “agredir” as demais culturas, os colégios relegam nossa cultura quando não constroem seus  alicerces nas aulas de história, onde se aprende muito menos sobre São Paulo do que os gaúchos aprendem sobre o Rio Grande do Sul. Pergunte a um deles quem foi Bento Gonçalves, agora refaça a pergunta a um paulista sobre seus heróis e note a diferença.

No estado somos quarenta milhões, cerca de trinta milhões de eleitores. Aí vem um doente e escreve que o povo daqui é imbecil porque apenas um trigésimo dos eleitores votaram no Tiririca? Me poupe dessa bobagem! Gente idiota há em todo lugar, mas provavelmente quem votou no meliante que não sabe escrever nem se deu conta do que estava fazendo realmente. O povo não vota errado, somos nós que não sabemos explicar direito.

A verdade é que deveria haver um filtro partidário para evitar essas distorções. A eleição do Tiririca, se fosse provado seu analfabetismo, deveria virar caso de polícia, não só para ele, mas também para o partido que atestou sua formação e para quem a aceitou no TSE. Lograram o país e os eleitores que nele votaram. Estelionato político!

Ainda sobre a idéia de separação do nordeste por conta dos votos na Dilma, sou contra, isso não é motivo. Sou a favor da reparação tributária em favor do meu estado e se isso não acontecer, sou a favor também da separação do Brasil, não somente do nordeste.

Talvez você que esteja lendo meu texto não saiba, mas o estado de São Paulo é o maior arrecadador de impostos do Brasil, em contrapartida, somos o penúltimo estado a receber de volta verbas do governo federal, ficamos atrás apenas do Distrito Federal. Como isso pode ser explicado?

Enquanto a Bahia recebeu 2 bilhões de reais do fundo de participação dos estados nos primeiros seis meses do ano, São Paulo recebeu cerca de duzentos milhões! Isso sim é inadmissível! Um estado ser tão preterido enquanto outros são favorecidos é motivo real para contestação. Se minha palavra não basta, clique aqui e veja o repasse.

Querer valorizar o meu estado é ir contra o estado dos outros?

Até mais!

#UPDATE: Os critérios de distribuição do fundo de participação deveriam ter sido revistos após o censo feito pelo IBGE em 1990 segundo a constituição brasileira. A distribuição dos recursos obviamente deveria ser feita com base no número de habitantes de cada estado, dado que estes consomem recursos da saúde, educação, habitação e outros. Não interessa aqui saber qual é o estado mais rico ou o mais pobre, ter uma população enorme e menos recursos é abusivo. São Paulo poderia estar muito melhor, com mais escolas, mais hospitais, mais segurança com o que gera de impostos e não está! Isso não é bairrismo algum, isso é fato! Quem defende a distribuição desproporcional está defendendo que o esforço de um povo não seja recompensado.

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