Homem que faz sexo com travesti pode ser considerado gay?

Homem que faz sexo com travesti pode ser considerado gay?

Sábio urso. Tenho 27 anos, namoro há 3 anos, desde muito cedo me relaciono com mulheres, e sempre tive muito tesão por elas (e continuo tendo). A questão é que de uns tempos para cá tenho me interessado muito por travestis, esse interesse foi tanto que me levou a pagar para transar com uma linda travesti… Digamos que ela me realizou completamente de todas as formas que queria… Fui ativo e passivo na minha transa, chupei e fui chupado, dominei e fui dominado, beijo não rolou e nunca rolará. Embora continue gostando muito de mulheres não consigo parar de pensar em travestis e sentir desejo por elas… Porém nunca me relacionei com homens e não tenho á mínima vontade… Será que um homem que faz sexo com travesti pode ser considerado gay? Renan

Olá Renan, nem sei como dizer isso causando o mínimo dano possível à sua personalidade, se é que é possível fazê-lo… Sei que isso será uma enorme surpresa para você, mas sou obrigado a responder, sujeito que gosta de se relacionar com outro sujeito do mesmo sexo, ativamente ou passivamente, só pode ser duas coisas: homossexual ou bissexual.

Repare que não escrevi “bichinha”, “fruta”, “mulherzinha”. Não escrevi por achar pejorativo ou coisa do gênero, até porque não considero esses adjetivos dessa forma, sempre que os uso, o faço com o intuito de separar o homossexual, aquele que tem prazer com outros do mesmo sexo, do homossexual afetado, desmunhequento e caricaturizado.

Geralmente a televisão adora mostrar somente este estereótipo. Imagino que a insistência em exibir tal modelo deva estar atrelada a uma sociedade brasileira machista e preconceituosa, dando uma audiência maior ao mostrar as “bichinhas afetadas”, tranquilizando o enorme contingente de homossexuais enrustidos, lhes dando a falsa percepção de que não são gays, afinal, de nada se assemelham aquele que a televisão mostra.

Uma mostra disso é a quantidade absurda de e-mails que recebo de homens perguntando se são gays. Galera do armário, tenho uma revelação para vocês, se tem dúvida sobre a sua masculinidade quanto a orientação sexual, é porque é gay!

Achei sua pergunta muito bacana porque me deu a oportunidade de falar sobre o assunto de forma ampla e aberta, coisa que prezo muito nesse blog.

A questão da homossexualidade é muito antiga, sendo que, em algumas épocas, não havia uma separação nítida entre ser homossexual ou heterossexual. É mais um conceito temporal e regional do que uma verdade absoluta. Quer um exemplo? No império romano os imperadores comiam a bunda de subalternos como forma de subjugá-los, mostrando quem detinha o poder, queriam passar uma mensagem muito clara: “eu sou tão fodão, mas tão fodão, que posso comer sua filha, sua mulher e até você”.

Outro ponto interessante nessa questão é referente ao seu contínuo desejo por mulheres, o que faria de você um bissexual, rótulo ainda mais recente. Muita gente me pergunta se existe bissexual ou se não é apenas uma forma menos rígida de ser um homossexual, alguém que ainda não se decidiu.

Muito bem, em minha opinião, deveríamos substituir os termos “homo” e “hetero”, atualizando-os para “mono” e “pluri”. Em tese, quem só faz sexo com um gênero ficaria sendo monossexual e quem faz com os dois seria plurissexual. Isso acaba com boa parte dos preconceitos existentes que remetem até mesmo a falha no caráter de alguém por ter escolhido ou compelido por determinada orientação sexual.

Eu acharia mais justo separarmos apenas a decisão de fazer ou não sexo com alguém da questão emocional. Afirmo isso por acreditar que os sentimentos de amor e afeto, assim como a raiva e o ódio, são independentes da escolha sexual que fazemos. Duas pessoas do mesmo sexo podem se amar ou odiar menos do que duas pessoas de sexos diferentes? Creio que não.

Quando separamos a orientação sexual da afetiva, podemos crer que há possibilidade clara de um indivíduo gostar de fazer sexo com homens e com mulheres, sem que isso interfira em sua masculinidade ou feminilidade.

Estou escrevendo isso rindo de mim mesmo, que dez anos atrás poderia ser considerado homofóbico e hoje defendo a liberdade sexual e ainda mais, a liberdade afetiva. Sou tão fã do direito de escolha individual que isso superou os meus preconceitos, ainda bem!

O que me fez mudar de opinião foi parar de encarar os estereótipos das novelas e a enxergar que por trás dessas escolhas existem pessoas normais, sem trejeitos, traquejos ou afetação. Hoje penso que as bichinhas só querem chamar a atenção, quase que como uma afronta, uma forma de protesto contra essa sociedade repressora em que vivemos. Se tiver alguma lendo isso, por favor, mude de atitude! Isso só gera ainda mais preconceito e ojeriza por parte dos demais.

Também acho engraçado alguns conceitos, como por exemplo, o da passividade e sua relação com a sexualidade da pessoa. Se você perguntar para caras com mais de cinquenta anos, oriundos de cidades pequenas, geralmente no interior de seus respectivos estados, se eles já fizeram o famoso “troca-troca” ou tiveram relações mesmo que apenas ativas com outro homem em sua época de adolescente, ficará chocado com as respostas que poderá receber.

Uma parte considerável destes teve uma ou outra relação homossexual durante a puberdade, mas sempre se consideraram homens por não terem sido a parte “passiva” na relação. Ora, se comeu ou apenas recebeu sexo oral e teve prazer com outro homem, como é que não é homossexual também?  Só porque foi ativo? Hipocrisia e medo. Isso sem falar nos coitados dos bichinhos (galinhas, cabritas, vacas) que sofreram na mão do pessoal da roça…

Para quem mora em cidades dotadas de redes de prostituição essas características regionais parecem coisa de outro mundo, mas para alguns que estão no interior do cu do mundo, isso é normal e/ou aceitável.

Bom, acho que é isso, resumindo Renan, você é plurissexual (total-flex) no meu conceito e homossexual no conceito convencional! Agora, essa história de não beijar na boca é coisa de viadinho… Chupar pode, beijar não? Tome vergonha, mona!

Agora que já falei com a seriedade que a questão demanda, quero compartilhar um quadro que acho divertido na Praça é Nossa, onde o personagem Valmir tem dificuldade para se adequar a sua nova condição:

Mais uma do Valmir para fechar:

Espero ter ajudado! Abraço!

Obs. Tenho um conceito para definir a questão do que você é ou deixa de ser, se deseja apenas ter relações sexuais com outras pessoas do mesmo sexo, acredito que você é um hétero com tendências homo, porém se deseja ter uma relação estável, uma família e coisas do gênero, sem sombra de dúvida você é homossexual. Mas, isso importa mesmo?

Conheça o novo blog do autor do Pergunte ao Urso

O Pergunte ao Urso não está mais sendo atualizado, mas seu autor começou outro blog que mistura crônicas com músicas brasileiras (MPB e Bossa Nova). O projeto leva o nome de "Naquela Mesa". Clique e conheça!

Comentários

comentários



Leia também


Xiii! Da fruta que você gosta ele comeu até o caroço? Qual o limite para o que acontece entre quatro paredes?
Ela quis que ele transasse com outro homem e descobriu que ele tem uma preferência por pirulitos... quis colocar a prova e perdeu de vez. Leia mais

Relacionamento a três: cada vez mais comum envolver mais do que sexo
Três canetas BicO casamento convencional talvez não seja o modelo ideal quando pensamos em duração. Relacionamentos a três e o caráter bissexual podem ser o futuro Leia mais

Dicas, vantagens e desvantagens de uma relação a três
seis_pesPromover uma relação a três não é fácil, há vantagens e desvantagens como em qualquer relacionamento. Dicas para uma relação estável ou ocasional Leia mais

Comentários

Powered by Facebook Comments

Se cadastre para receber as atualizações por e-mail

* indicates required



/

( dd / mm )

Sexo e relacionamento – Frequência dos e-mails

Carreira e cotidiano – Frequência dos e-mails

Comportamento – Frequência dos e-mails

Educação e saúde – Frequência dos e-mails

Política e religião – Frequência dos e-mails

Comunicados oficiais – Frequência dos e-mails

Presença Online – Frequência dos e-mails


Comentários

comentários