KLB: perder a dignidade, o relacionamento e as pregas de uma só vez não é fácil

Caro Urso, já imagino você lendo meu relato e, logo em seguida, gargalhando até faltar ar. Infelizmente minha vida nos últimos tempos virou um grande motivo de chacota por parte de familiares, amigos e até gente que não me conhece. Desde a época da faculdade meu apelido era Kibe, por razões que agora não importam. Estudei artes plásticas na USP convivendo com um pessoal mais alternativo. Foi numa dessas que conheci e namorei uma menina que acabou com a minha vida. Ela veio com a idéia de usar um strap on, ou a famosa cinta-pica. Achei que era prafrentex demais e resolvi desconversar. O relacionamento entrou em crise e dar o cu para salvar o namoro me pareceu uma boa opção. Prefiro não dar muitos detalhes da transa, mas só te digo que foi meio desconfortável. Mas, pior ainda, foi ela me dando um pé na bunda dias depois!

Fiquei mal, deprimido, arrasado. Você deve saber o quanto dói um fora de alguém que você ama. Imagine isso elevado a potência de ter topado dar para sua ex. Precisava de um apoio e resolvi ligar para meu melhor e contar a história, pedindo sigilo. Resultado: a partir desse dia ganhei um novo apelido. KLB – Kibe Levou Borracha. Urso, o que eu faço para reverter isso? Estou realmente desesperado e não sei mais o que fazer. Sinto que preciso de uma nova vida.

Caros leitores, vocês estão liberados. Podem parar de ler e rir pelos próximos 5 minutos imaginando a cena. Estou com vocês! O KLB estava certo, até eu acostumado a receber as piores perguntas possíveis tive que rir. Ok, respirando fundo agora, vou tentar responder com seriedade… Estou tentando… Mais uma vez… Porra! Não tem como! É bizarro demais um sujeito resolver dar o cu tentando salvar o relacionamento, isso mexe com a minha capacidade argumentativa, é como aqueles crimes onde o sujeito é pego na cena do crime, com a faca ensanguentada, um mapa feito para invadir a casa da vítima e com um corpo no chão. Não há defesa!

Caro KLB, tentarei te ajudar, mas gostaria que refletíssemos sobre alguns pontos, afinal, achar que dar a bunda a contragosto é uma boa idéia mostra que você está com problemas na sua capacidade de discernimento. Por outro lado, pode ser que essa “experiência” pode ter lhe trazido juízo (apesar de ter lhe levado as pregas embora).

Pelo seu relato, você está incomodado por ter virado objeto de chacota, o que me leva a crer que ceder o rabicó não fazia parte dos seus planos de vida, certo? Vou tentar deixar o preconceito de lado primeiro para falar somente sobre essa parte, o ato de ceder o fiofó.

Já vi muito marmanjo fazer coisa pior do que deixar a namorada usar uma cinta-pica somente para continuar um relacionamento. Os machões devem estar putos com a minha declaração, mas a verdade é que tem muito sujeito crescido que chora mais que criança cagada quando toma um pé na bunda. Tenho um recado para estes: não chorem como meninas, além de ser feio, queima o filme dos normais. Ok, ficar triste é normal, mas abrir um berreiro do tipo “eu não vivo mais sem ela/eu quero morrer/ela era tudo que eu tinha” só mostra o perdedor que há em você.

A história é implacável

Sabe qual o maior problema para você? O fato de ter dado errado. A história, caro KLB, é implacável com os derrotados. De nada interessa todas as juras de amor que trocaram, nem a dedicação que você tinha por ela, muito menos que você nunca a traiu, o que importa agora é que você perdeu a namorada e as pregas em uma só tacada.

E sabe o que aconteceria se o final da história fosse diferente? Algumas pessoas ainda assim iriam te zoar, mas isso impulsionaria muito sujeito a aceitar ser possuído. Pode estar certo. Inclusive os mais machões, até porque quanto mais ignorante for o sujeito, mais perto do pé na bunda ele fica. Na ausência de argumentos melhores, para estes, dar a bunda até que é uma saída fácil.

Uma parcela das leitoras do blog deve estar indignada comigo dizendo que muita mulher teve que ceder o brioco para não perder o relacionamento. Acho muito diferente uma coisa da outra. Não é muito convencional até para os mais modernos dos homens ser possuído pela mulher, isso já deu muita conversa aqui no blog (clique aqui para ler).

Como o mundo feminino não se bate com o masculino vou traduzir a similaridade, seria como se o sujeito obrigasse a namorada a chupar os peitos de outra garota, levando em consideração que ela não gosta.

Essa situação é toda esdrúxula, você cedeu sem achar bacana, desespero puro, perdeu a mulher, foi falar com um “amigo” e se ferrou. Como pode perceber, tudo errado.

Resumo

Cinta-pica: R$ 150,00
Noite no motel: R$ 100,00
Pote de manteiga: R$ 3,80
Ser enrabado/abandonado pela namorada e difamado pelo melhor amigo: Não tem preço!

Amizades, onde?

O fato de ter amigos assim também me faz pensar como escolhe suas amizades, só gente fina, hein? Confesso que não sei o que faria com o sujeito “amigo-da-onça”. Bater é pouco para um mau caráter como esses e o pior, do jeito que sua sorte anda é capaz de você apanhar e piorar ainda mais a sua situação.

Uma das coisas que você citou foi que eu devo saber o quanto dói ser abandonado por quem ama. Sinto lhe informar, mas não sei. Até porque nunca fui abandonado por nenhuma mulher que amei e espero que esse dia não chegue nunca. Ser abandonado não é legal… Prefiro os relacionamentos já tiveram fim de comum acordo. Você só é abandonado quando não presta atenção no seu par. Se tiver dois neurônios que não estejam preocupados apenas com seu umbigo em pouco tempo você nota se há algo começando a dar errado, tenta consertar ou parte para outra.

Só é abandonado quem é lento! Geralmente as pessoas dão indícios, só cabe a você perceber. Não percebeu? A vida é assim! Toma-lhe o pé na bunda e chora na cama que é lugar quente!

Mude de atitude

Não acho que você precise de uma nova vida, mas sim de uma nova atitude. Se não mudar isso continuará incorrendo no mesmo tipo de erro que é não se amar o suficiente. Esse é o problema, caro KLB. Você só virou Kibe Levou Borracha porque achou que valia mais um pau no cu do que um amor voando. Isso só pode ser reflexo de uma descrença no seu potencial. Fatalmente, se tivesse uma auto-estima mais bem construída, mandaria essa garota para aquele lugar e arrumaria outra melhor ou, no mínimo, que não quisesse te foder (literalmente).

Muito bem, estrago feito, pregas perdidas a parte, o que fazer além de corrigir o problema que já falei acima? Garanto-lhe que difamar a garota ou seu “amigo” de nada adiantará. Você continuará sendo o cara que levou borracha e poderá ganhar o apelido de chorão.

O que fazer agora que as pregas e a dignidade se foram?

a)    Ser moderno

Uma possibilidade real é você admitir que tem prazer na região anal e que isso não lhe torna menos homem. Muito pelo contrário, esse exercício não te deu nenhuma vontade de dar o rabo para um cara, você já foi testado e aprovado, ao contrário dos caras que te zoam.

Essa lógica poderá lhe render algumas garotas, muitas não gostam de homens preconceituosos e fechados para experiências. Dependendo do caso isso lhe abrirá um mercado não explorado. Estou falando das mulheres, ok?

Continua não sendo um assunto para se falar com a turma do futebol, mas também pudera, não force a barra. Não é porque você vai adotar esse discurso “liberal” que todos iremos fazê-lo. Como isso apenas como a “sua” verdade. Não tente converter outros homens, isso não será bem interpretado.

b)    Fugir

Antigamente, quando as pessoas queriam acabar com suas vidas, se casavam alistavam na Legião Estrangeira, poderia até ser uma boa para você, mas acredito que há normas contra quem já deu a bunda.

Virar padre não é uma opção, nem pense nisso. Já temos escândalos demais. Acredito que um simples intercâmbio poderá lhe ajudar a passar por essa provação. A sua sorte é que não há imagens, senão estaria perdido para sempre.

Quando voltar, depois de ficar fora por uns tempos, a poeira já deverá ter assentado. Por favor, suplico, não monte uma dupla sertaneja. Até porque acredito que no seu caso seria complicado arrumar um parceiro. Quem quer ser parceiro de um cara que já levou na bunda? Pega mal.

Ah, nem tente fazer como Tiêta, obra de Jorge Amado, essas coisas não funcionam fora da ficção.

Espero ter ajudado! Até mais!

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