“Perdi o desejo e o interesse nela”. Salvar o relacionamento ou pular a cerca

Caro Urso Branco, antes de me casar eu tinha um desejo sexual insaciável pela minha então namorada, parecia um leão faminto atrás de uma presa. Agora, depois de casado, eu pareço mais um gatinho que só quer carinho e atenção, mas nada de chegar junto. Qual o conselho para que eu possa voltar a ser aquele leão? Você acha que devo procurar saciar meus desejos fora de casa? Eduardo

Caro Eduardo, achei sua pergunta muito interessante e fiz questão de respondê-la, pois o que você está passando é um problema muito comum para os machos que se casam. O comodismo toma conta homem e isso é apenas o começo do fim. Já que passou de leão para gatinho, qual seria o próximo estágio? Vou dar uma pista, ele muge…

Diante dessa situação muitos casais separam-se, outros apenas viram poligâmicos, existem também aqueles que se aventuram no swing para tentar quebrar a monotonia e ainda os que procuram ajuda profissional, sendo ela através de terapeutas ou então de acompanhantes remunerados (eufemismo para prostitutas ou michês).

Olhar para a essência do problema é algo que raramente se faz, é melhor falar que a relação “esfriou”, que a paixão acabou, que a mulher está no caminho de ser uma ótima sogra, que o maridão serve muito bem apenas para abrir vidro de maionese e carregar peso, que os filhos dificultam a intimidade, que a grama do vizinho é mais verde e muitas outras desculpas para o inegável: pessoas se acomodam!

Eu gostaria realmente de acreditar que você parecia “um leão faminto” no início do relacionamento, mas sua esposa ainda não se manifestou. Porém devo lhe dar certo crédito, afinal, você, Eduardo, é meu leitor!

Espero que sua mulher não tenha se transmutado de leoa em cobra, isso já explicaria seu desinteresse. Falo sempre aos amigos, um dos problemas do casamento está na quebra de expectativas, a mulher casa com o indivíduo achando que ele irá mudar um dia, ao mesmo tempo em que ele tem a falsa percepção de que ela nunca mudará. Ponto para o advogado civil, a cada dia casam-se mais prováveis clientes.

Já falei em outro post que o casamento nunca fora o sonho de realização do homem, porém ele entra na festa e em boa parte dos casos, com o tempo, se torna um bom convidado ou percebe que o garçom está desligando as luzes e colocando as cadeiras em cima das mesas.

É leitor, nessa hora saberemos que “homem” você é… Ficará chorando pelos cantos? Delegará ao destino, a família, a sogra, ao plano Collor, ao vizinho, a crise asiática e, é claro, a filha da p. da sua mulher, aquele ser insensível que lhe pôs para fora por não aguentar suas traições, a culpa do término do relacionamento?

O casamento é que nem bicicleta, foi feito para cair! Porém com certa habilidade e equilíbrio você consegue ir adiante, isso pedirá de você muito discernimento, senso de perigo e uma dose gigante de sorte.

Nem tudo está perdido rapaz! Não sou a madre Tereza para ficar lhe julgando por querer saciar seu desejo, longe de mim, como Urso, sou corporativista, defendo você se fizer merda. Mas você tem que saber que está indo para a direção errada, tem que ter essa consciência, pois se assim o fizer, não poderá culpar ninguém mais a não ser você.

Brinco sempre que casamento é o único crime em que você é libertado por mau comportamento! Todos já pensam que traição é o único motivo considerado capital, mas a situação é muito mais complexa. Talvez por isso a noiva entre de branco e o rapaz entra de preto na igreja. Existe uma gama muito grande de maus comportamentos a serem considerados, como por exemplo, falta de companheirismo, ciúme excessivo, reações agressivas, covardia e se eu for escrever tudo não termino esse post hoje.

Eduardo, seu caso é muito simples, você está com problema de interpretação. Por algum motivo que não me fora revelado na sua pergunta, você parou de enxergar sua mulher como a garota que você devorava e agora acha que ela é a sua mãe.

De quem é a culpa? Dos dois! De quem é a responsabilidade de resolver o “causo”? Do “homem” da casa! Nesse caso pode ser até que esse último não seja você, pode ser que ela já esteja cumprindo esse papel.

Os homens têm que aprender essa métrica, faz parte do nosso papel no relacionamento resolver essas questões, bem como, montar um home theater e levar o carro no mecânico. Comprar fogão, ver qual cortina fica melhor, se meter a escolher o curso que a namorada quer fazer, dar palpite no tipo de madeira dos móveis, escolher apartamento ou carro, são ações que não fazem parte das nossas responsabilidades. Não que você não possa fazê-las, mas não é “conveniente”.

Sugiro que o senhor converse com sua esposa e tente identificar quando a mudança de visão ocorreu, quem sabe assim acerte o foco e evite maiores problemas. Parece-me óbvio, mas devo lembrá-lo de que sinceridade demais atrapalha, portanto, não precisa dizer que já pensou em procurar comer fora. Eu também espero que ela não lhe diga isso, mas que talvez já lhe tenha passado pela cabeça, isso pode até ser…

Você precisa se lembrar que sua esposa é uma mulher! Caso ela tenha esquecido isso, lembre-a com carinho, recordando situações que foram bacanas, falando como você gostava de algo que acontecia. O cotidiano definha o casamento e cabe ao “homem” fazer-se presente, quem sabe ela se empolga?

Um abraço Eduardo! Espero ter te iluminado, do jeito que a coisa estava indo, logo você penduraria decoração natalina na sua cabeça ou na dela.

Comentários

comentários



Comentários

Powered by Facebook Comments

Se cadastre para receber as atualizações por e-mail

* indicates required



/

( dd / mm )


Sexo e relacionamento – Frequência dos e-mails

Carreira e cotidiano – Frequência dos e-mails

Comportamento – Frequência dos e-mails

Educação e saúde – Frequência dos e-mails

Política e religião – Frequência dos e-mails

Comunicados oficiais – Frequência dos e-mails

Presença Online – Frequência dos e-mails


Comentários

comentários